O silício (Si) é o material mais utilizado na fabricação de dispositivos
microeletrônicos e fotovoltaicos devido às suas excelentes propriedades
físicas e ao alto grau de desenvolvimento das tecnologias de produção
alcançadas pela indústria. Conseqüentemente, materiais compatíveis com o
Si são alternativas importantes para ampliar o desempenho e a
funcionalidade das próximas gerações de dispositivos. O principal
objetivo desse trabalho foi estudar sistematicamente a formação de
nanopartículas de Sn e de PbSe via implantação iônica seguida de
tratamentos térmicos (síntese por feixe de íons), em substrato de
silício com orientação (100). Três tipos de substratos foram
considerados: substrato sem defeitos, substratos contendo sistemas de
bolhas de Ne e substratos contendo cavidades vazias. A formação de
nanopartículas de estanho (Sn) foi tomada como caso modelo para otimizar
os parâmetros do processo de síntese por feixe de íons. O sistema
composto PbSe é interessante por ser semicondutor de gap direto, sendo
potencialmente útil para o desenvolvimento de dispositivos
optoeletrônicos e fotovoltaicos integrados com o Si. A caracterização
estrutural das amostras foi realizada através de técnicas de análise por
feixes de íons, como o Retroespalhamento Rutherford (RBS), RBS em
direção canalizada, detecção de partículas por recuo elástico (ERD) e
através da técnica de Microscopia Eletrônica de Transmissão (TEM). Os
principais pontos estudados foram: (i) os efeitos sobre o processo de
síntese de nanoppartículas causados pela amorfização da matriz durante a
implantação de íons de Sn+, Pb+ e Se+; (ii) o desenvolvimento de
estratégias de como evitar a amorfização através do aquecimento do
substrato; (iii) a perda de material implantado durante tratamentos
térmicos de alta temperatura realizados após a implantação; (iv) a
decomposição de cavidades e de bolhas e das próprias nanopartículas
inerente ao auto-bombardeamento iônico durante as implantações; (v) o
processo de nucleação de precipitados em sítios heterogêneos como
discordâncias, cavidades e bolhas; (vi) e a formação de nanopartículas
em diferentes tipos de substrato. Através da implantação de elementos
muito pouco solúveis em uma matriz, espera-se a formação de
nanopartículas dispersas de uma segunda fase pura (sem reagir com
elementos da matriz). Neste sentido, os resultados obtidos são
interessantes. Primeiro, no caso do Sn, apresentamos evidências da
formação de estruturas nanoscópicas de alta estabilidade térmica,
afetando o processo de nucleação e formação das fases α-Sn
(semicondutora) ou β-Sn (metálica) usuais para sistemas massivos.
Obtivemos a formação preferencial da fase β-Sn, e não obtivemos
evidência da formação de ligas Sn-Si ou a fase α-Sn que podem ser
obtidas através de processos de não equilíbrio como a co-deposição por
epitaxia de feixe molecular. Por outro lado, no caso da co-implantação
com íons de Pb+ e Se+, os resultados mostram ser possível formar
sistemas dispersos de nanopartículas de PbSe com estequiometria e
estruturas previstas em diagrama de equilíbrio para sistemas massivos.
Por fim, a presença de cavidades e bolhas, apesar de influenciar na
distribuição em tamanho das nanopartículas, não representa uma vantagem
específica como centro de segregação e nucleação preferencial de
impurezas no Si. Isso contradiz conceitos da literatura referentes ao
aprisionamento de impurezas bolhas ou cavidades, usualmente considerados
como técnicas para purificação de matriz, e aplicados na confecção de
dispositivos microeletrônicos e fotovoltaicos.
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Bem vindo ao blog de discussões referentes à análise e modificação de materiais por feixes iônicos e suas contribuições nas diversas áreas da Ciência.
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31 de mar. de 2012
30 de mar. de 2012
Perda de energia e fragmentação de íons moleculares em cristais
Os fenômenos decorrentes da interação entre íons monoatômicos e a
matéria têm sido amplamente estudados há décadas. No entanto, um esforço
comparativamente menor tem sido despendido no estudo dos fenômenos
decorrentes da interação entre feixes moleculares e a matéria,
especialmente quando o alvo do feixe é um sólido cristalino. Tais
fenômenos, como a transferência de energia entre o feixe e a matéria, a
emissão de raios X induzidos pelos feixes e a geração de produtos de
reação nuclear sofrem importantes modificações no caso de feixes
moleculares. Essas alterações estão longe de ser explicadas por uma
simples soma dos efeitos causados pelos componentes individuais do
aglomerado iônico. Em particular, no caso de interação com sólidos
cristalinos, a fragmentação dos aglomerados causada pela explosão
coulombiana causa importantes efeitos sobre o fluxo de íons ao longo do
sólido. Finalmente, efeitos de vizinhança entre os componentes do
aglomerado alteram sensivelmente o valor da energia transferida entre
este e o sólido. Na descrição desses fenômenos, empregou-se, neste
trabalho, de um lado, a construção de um modelo teórico para a perda de
energia de aglomerados e, de outro, técnicas experimentais envolvendo
contagens de retroespalhamento, indução de raios X pelo feixe de íons e
geração de produtos de reação nuclear por feixes de H+, H2 + e H3 + em
Si e SIMOX. Como elo entre teoria e experimento, empregaram-se
simulações que descrevem a interação entre os íons moleculares e o alvo.
Pela primeira vez, alterações de fluxo de íons causadas pela explosão
coulombiana foram quantificadas, valores de perda de energia foram
obtidos e, finalmente, uma nova expressão simplificada para a
transferência de energia foi obtida.
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24 de mar. de 2012
Análise de materiais nanoestruturados utilizando feixes de íons
A miniaturização de dispositivos tecnológicos levou à percepção de novas
classes de efeitos devidos ao con namento quântico e à mudança na
proporção entre número de átomos presentes na superfície e no volume de
estruturas que atingem a escala nanométrica, levando à noção de
nanociência e nanotecnologia. Dentre os desa os impostos por essas áreas
emergentes encontram-se os desa os para os métodos analíticos, em
particular para os métodos baseados em feixes de íons, que tiveram um
papel fundamental na tecnologia do silício. O uso de feixes de íons para
a caracterização de nanoestruturas não é muito difundido devido a
limitações na resolução espacial e no dano causado pelos íons
energéticos incidentes nas nanoestruturas. Nesta tese é apresentado o
estado da arte das aplicações da análise por feixes de íons na
nanotecnologia e são descritos avanços direcionados à adoção de métodos
analíticos de feixes de íons para as nanociências. Serão abordados os
principais métodos de per lometria com alta resolução em profundidade,
em especí co a per lometria utilizando reações nucleares com
ressonâncias estreitas em suas curvas de seção de choque (RNRA, do
inglês Resonant Nuclear Reaction Analysis ) e espalhamento de íons de
energias intermediárias (MEIS do inglês Medium Energy Ion Scattering ).
Uma vez que os modelos convencionais, baseados em uma aproximação
Gaussiana, não são adequados para descrever o espectro de espalhamento
de íons correspondente a estruturas nanométricas, neste trabalho foram
desenvolvidos modelos que descrevem adequadamente os processos de perda
de energia dos íons na matéria, viabilizando a adoção sistemática de
espalhamento de íons de energias intermediárias para a análise de
nanoestruturas. Aplica ções recentes de RNRA e MEIS para eletrodos de
porta metálicos e dielétricos com alta constante dielétrica sendo
incorporados à tecnologia MOSFET atual são apresentadas como avaliação
dos métodos.
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23 de mar. de 2012
Estudo de superficies metálicas utilizando MEIS : a importância da forma de linha
Espalhamento de íons com energia média (MEIS), em conjunto com as
técnicas de sombreamento e bloqueio, representa um poderoso método para a
determinação de parâmetros estruturais e vibracionais de superfícies
cristalinas. Esta determinação é realizada pela comparação do rendimento
de íons detectados em função do Ângulo de espalhamento, as chamadas
curvas de bloqueio, com simulaçõe computacionais. Em geral, um número
grande de estruturas-tentativa é utilizada e a melhor concordância entre
resultados experimentais e teóricos encontrada é considerada a
estrutura real. Apesar do imenso sucesso, este tipo de abordagem na
determinação da superfície não é únivoco em determinados sistemas. Além
disso, as formas do espectro de perda de energia iônica não são,
normalmente, analisadas pois requerem um conhecimento profundo dos
mecanismos de transferência de energia. A probabilidade de
excitação/ionização para cada camada interna em uma colisão única
representa um aspecto importante. Neste trabalho, cálculos por Canais
Acoplados são usados para o descrever os mecanismos de transferência de
energia em conjunto com a simulação Monte Carlo das trajetórias iônicas
no interior do cristal. Este método possibilita a simulação da
distribuição de perda de energia do pico de superfície para diversos
sistemas físicos. Primeiramente, foi realizado estudo com deposição de Y
e a formação do siliceto bidimensional Si(111)(1×1)-Y para diversas
preparações da superfície e diferentes ângulos de espalhamento. Os
resultados mostraram que existem contribuições para o espectro em
energia referentes á rugosidade e não homogeneidade da superfície.
Entretanto, para incidência e detecção do feixe de íons quase-normais á
superfície da amostra, a concordância entre os espectros em energia
simulados e experimentais é satisfatória. Posteriormente, foi realizado
um estudo com a deposição de fração de monocamada de metais alcalinos
(K, Rb e Cs) sobre Al(111). A perda de energia, neste caso, pode ser
completamente atribuída a colisões atômicas únicas nos metais alcalinos.
Os espectros de energia experimentais referentes a Rb e Cs apresentam
notável assimetria em relação ao K, fenômeno este atribuído ás
excitaçõesde elétrons 3d e 4d, respectivamente, e a múltiplas ionizações
destes estados. Houve excelente concordância entre teoria e experimento
referente aos espalhamentos por Rb e Cs. Com relação ao K, ocorreu
discrepÂncia na região de baixa energia do espectro, resultante de
problemas com a preparação da amostra. Finalmente, tanto o espectro em
energia quanto as curvas de bloqueio referentes á medidas na superfície
limpa de Cu(111) foram simulados e comparados com resultados
experimentais. A determinação da superfície através do método “clássico”
mostrou que alguns conjuntos de parâmetros estruturais e vibracionais
podem resultar em curvas de bloqueio idênticas. Por outro lado, a
simulação dos espectros em energia, não apresentou estes problemas, o
que sugere fortemente a necessidade de um modelo com correlação (ƒcorr =
0,4). Este resultado mostra que a simulação do espectro em energia pode
ser utilizado em conjunto com a simulação das curvas de bloqueio de
forma a servir de ferramenta auxiliar na determinação de parâmetros
estruturais e vibracionais de superfícies.
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22 de mar. de 2012
Estudo das modificações microestruturais e mecânicas de filmes de a-C:H, a-C:N:H: e a-C:F:H irradiados com íons de N/sup +/ e Xe/sup ++/
Nesse trabalho foram estudados os efeitos da irradiação iônica em filmes
de carbono amorfo hidrogenado, sem (a-C:H) e com a presença de N e F
(a-C:N:H e a-C:F:H, respectivamente). Os filmes foram crescidos através
da técnica de Deposição Química na Fase Vapor Assistida por Plasma. Após
a deposição, os filmes foram irradiados com N+ a 400 keV e Xe++ a 800
keV. Esses íons e suas energias foram escolhidos de modo que nas
irradiações com N+ e Xe++ predomine o poder de predomine o poder de
freamento eletrônico e nuclear, respectivamente. Alterações nas
propriedades estruturais, ópticas e mecânicas foram investigadas através
das técnicas de perfilometria, espectroscopia Raman, espectroscopia na
região do infravermelho próximo, visível e ultravioleta, nanoindentação e
técnicas de análise por feixe de íons (análises por retroespalhamento
de Rutherford e análise por reação nuclear). Os resultados revelam que a
irradiação causa um decréscimo na concentração atômica de H em todas as
amostras, e na concentração de F nas amostras de a-C:F:H. Não foram
verificadas alterações na concentração de N nos filmes de a-C:N:H. Os
espectros Raman e as medidas do gap de Tauc revelam que a irradiação
provoca um decréscimo na concentração de estados sp3, devido à conversão
C-sp3 → C-sp2. Após as máximas fluências de irradiação, independente
do íon precursor, todos os filmes apresentam uma estrutura amorfa
rígida, composta com 95 a 100 % de estados sp2. Geralmente, como prevê o
modelo de “clusters”, fases sp2 são planares e apresentam baixos
valores de dureza. Ao contrário, nossos resultados mostram que após as
maiores fluências de irradiação todos os filme combinam boas
propriedades mecânicas e tensão interna nula. A rigidez da estrutura
resulta do elevado grau de distorção angular nas ligações carbono sp2, o
que permite a formação de anéis não hexagonais, como pentágonos e
heptágonos, possibilitando a formação de sítios curvos, criando uma
estrutura tridimensional. Além disso, com a redução dos estados sp3
obtivemos estruturas não usuais. Filmes de carbono amorfo tipicamente
apresentam elevados valores de dureza e tensão interna compressiva, o
que limita a espessura máxima do filme, prejudica sua adesão sobre
determinados substratos e torna o filme suscetível à falhas mecânicas
por delaminação. Através da irradiação iônica foi possível a formação de
novas fases metaestáveis combinando elevada dureza e tensão interna
nula, ou seja, uma nova classe de materiais com grande potencial
tecnológico.
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21 de mar. de 2012
Novas fases amorfas de carbono produzidas por irradiação iônica de filmes de C/sub 60/, [alfa]-C e [alfa]-C:H
Neste trabalho estuda-se a formação de novas fases de carbono amorfo
através da irradiação iônica de filmes de fulereno, a-C e a-C:H
polimérico. Os efeitos da irradiação iônica na modificação das
propriedades ópticas e mecânicas dos filmes de carbono irradiados são
analisados de forma correlacionada com as alterações estruturais a nivel
atômico. O estudo envolve tanto a análise dos danos induzidos no
fulereno pela irradiação iônica a baixas fluências, correspondendo a
baixas densidades de energia depositada, quanto a investigação das
propriedades físico-químicas das fases amorfas obtidas após irradiações
dos filmes de fulereno, a-C e a-C:H com altas densidades de energia
depositada. As propriedades ópticas, mecânicas e estruturais das
amostras são analisadas através de técnicas de espectroscopia Raman e
infravermelho, espectrofotometria UV-VIS-NIR, microscopias ópticas e de
força atômica, nanoindentação e técnicas de análise por feixe de íons,
tais como retroespalhamento Rutherford e análises por reação nuclear. As
irradiações produzem profundas modificações nas amostras de fulereno,
a-C e a-C:H, e por conseqüência significativas alterações em suas
propriedades ópticas e mecânicas. Após máximas fluências de irradiação
fases amorfas rígidas (com dureza de 14 e 17 GPa) e com baixos gaps
ópticos (0,2 e 0,5 eV) são formadas. Estas estruturas não usuais
correspondem a arranjos atômicos com 90 a 100% de estados sp2 Em geral
fases sp2 são planares e apresentam baixa dureza, como predito pelo
modelo de “cluster”. Entretanto, os resultados experimentais mostram que
as propriedades elásticas das novas fases formadas são alcançadas
através da criação de uma estrutura sp2 tridimensional. A indução de
altas distorções angulares, através da irradiação iônica, possibilita a
formação de anéis de carbono não hexagonais, tais como pentágonos e
heptágonos, permitindo assim a curvatura da estrutura. Utilizando um
modelo de contagem de vínculos é feita uma análise comparativa entre a
topologia (estrutura geométrica) de ligações C-sp2 e as propriedades
nanomecânicas. São comparados os efeitos de estruturas sp2 planares e
tridimensionais (aleatórias) no processo de contagem de vínculos e,
conseqüentemente, nas propriedades elásticas de cada sistema. Os
resultados mostram que as boas propriedades mecânicas das novas fases de
carbono formadas seguem as predições do modelo de vínculos para uma
rede atômica sp2 tridimensional. A formação de uma fase amorfa dura e
100% sp2 representa uma importante conquista na procura de novas
estruturas rígidas de carbono. A síntese da estrutura desordenada sp2
tridimensional e vinculada aqui apresentada é bastante incomum na
literatura. O presente trabalho mostra que o processo de não-equilíbrio
de deposição de energia durante a irradiação iônica permite a formação
de distorções angulares nas ligações sp2-C, possibilitando a criação de
estruturas grafíticas tridimensionais.
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19 de mar. de 2012
Estudo da perda de energia de Be, B e O em direções aleatórias e canalizadas de alvos de Si e determinação da respectiva contribuição Barkas
Neste trabalho de tese, foi estudada a perda de energia de íons de Be, B
e O incidindo em direção aleatória e ao longo dos canais axiais
<100> e <110> do Si. Os intervalos de energia nos quais as
medidas experimentais foram realizadas variaram entre 0,5 e 10 MeV para
Be, entre 0,23 e 9 MeV para B e entre 0,35 e 15 MeV para O.
Posteriormente, o efeito do “straggling” (flutuação estatística da perda
de energia) nas medidas em direção aleatória também foi analisado, para
íons de Be e O, nas regiões de energia entre 0,8 e 5 MeV e 0,35 e 13,5
MeV, respectivamente. As medidas relacionadas à perda de energia em
direção aleatória e ao “straggling” em função da energia dos íons foram
realizadas combinando-se a técnica de retroespalhamento Rutherford (RBS)
ao emprego de amostras de Si implantadas com marcadores de Bi. Os
resultados relativos à perda de energia ao longo dos canais <100> e
<110> do Si em função da energia dos íons foram obtidos através
de medidas de RBS canalizado feitas em amostras tipo SIMOX (Separated by
IMplanted OXygen). A perda de energia foi calculada teoricamente,
através de três abordagens diferentes: a) a Aproximação de Convolução
Unitária (UCA); b) o método não-linear baseado na seção de choque de
transporte e na regra da soma de Friedel estendida (TCS-EFSR); c) a
teoria binária. A combinação dos cálculos UCA com os resultados
experimentais para a perda de energia canalizada de Be, B e O em Si
permitiu isolar a contribuição do efeito Barkas para a perda de energia.
Essa contribuição mostrou ser bastante grande, chegando a 45% do valor
das outras contribuições para o caso do Be, 40% para o caso do B e 38%
para o caso do O. Esses resultados são comparáveis aos previamente
obtidos no Laboratório de Implantação Iônica da UFRGS para íons de He e
Li. As teorias TCS-EFSR e binária permitiram o cálculo do efeito Barkas
para a perda de energia devida aos elétrons de valência. Os resultados
teóricos e experimentais para a contribuição Barkas total e relativa
foram comparados e analisados em função da carga média e da energia dos
íons para as energias de 300, 400, 500 e 700 keV/uma. O acordo
teórico-experimental é razoável para as energias mais baixas, melhorando
com o aumento da energia dos íons incidentes.
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18 de mar. de 2012
Crescimento térmico de filmes dielétricos sobre SiC e caracterização das estruturas formadas
Na presente tese, foi investigado o crescimento térmico de filmes
dielétricos (óxido de silício e oxinitreto de silício) sobre carbeto de
silício. Além disso, os efeitos da irradiação iônica do SiC antes de sua
oxidação, com o intuito de acelerar a taxa de crescimento do filme de
SiO2, também foram investigados. A tese foi dividida em quatro
diferentes etapas. Na primeira, foram investigados os estágios iniciais
da oxidação térmica do SiC: mudanças no ambiente químico dos átomos de
Si foram observadas após sucessivas etapas de oxidação térmica de uma
lâmina de SiC. A partir desses resultados, em conjunto com a análise
composicional da primeira camada atômica da amostra, acompanhou-se a
evolução do processo de oxidação nesses estágios iniciais. Na etapa
seguinte, foram utilizadas as técnicas de traçagem isotópica e análise
por reação nuclear com ressonância estreita na curva de seção de choque
na investigação do mecanismo e etapa limitante do crescimento térmico de
filmes de SiO2 sobre SiC. Nesse estudo, compararam-se os resultados
obtidos de amostras de óxidos termicamente crescidos sobre Si e sobre
SiC. Na terceira etapa, foram investigados os efeitos da irradiação
iônica do SiC antes de sua oxidação nas características finais da
estrutura formada. Finalmente, comparam-se os resultados da
oxinitretação térmica de estruturas SiO2/SiC e SiO2/Si utilizando dois
diferentes gases: NO e N2O.
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17 de mar. de 2012
Redistribuição e ativação de dopantes em Si com excesso de vacâncias
A redistribuição e ativação elétrica dos dopantes tipo n (As e Sb) e
tipo p (Ga e In) em Si com excesso de vacâncias foram analisadas. As
vacâncias foram geradas por implantação iônica de altas doses de
oxigênio ou nitrogênio em alta temperatura, de acordo com procedimentos
já estudados. Em seguida foram implantados os dopantes com dose de
5x1014 cm-2 a 20 keV na região rica em vacâncias. Dopagens idênticas
foram realizadas em amostras de Si sem vacâncias e em SIMOX. Em seguida
foram feitos recozimentos a 1000ºC por 10 s ou 15 min. Os perfis
atômicos dos dopantes foram medidos com Medium Energy Ion Scattering e
os perfis dos dopantes ativados, com Hall diferencial. A redistribuição e
as propriedades elétricas de cada um dos dopantes no Si sem vacâncias
foram bastante similares às observadas no SIMOX, porém várias diferenças
foram observadas em relação às amostras com excesso de vacâncias. As
vacâncias reduziram a ativação elétrica do As e do Sb, mas
proporcionaram maior estabilidade da ativação após recozimentos longos.
A redistribuição destes dopantes foi infuenciada pelo íon usado na
geração das vacâncias, ou seja, nitrogênio ou oxigênio. O oxigênio
proporcionou maior dose retida de As e o nitrogênio, maior dose retida
de Sb. Já para o Ga e o In, as vacâncias tiveram papel fundamental na
sua redistribuição, diminuindo a difusão para fora das amostras e
garantindo maior dose retida. A ativação elétrica do Ga e especialmente a
do In foram baixas, onde observamos forte influência do íon
pré-implantado, principalmente o oxigênio.
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16 de mar. de 2012
Propriedades físico-químicas e características elétricas de estruturas dielétrico/SiC
Na presente Tese, foi investigado o efeito de tratamentos térmicos
reativos nas propriedades físico-químicas e, em alguns casos, nas
propriedades elétricas de filmes de SiO2 crescidos termicamente sobre
carbeto de silício. Foram abordados os principais processos que visam
melhorar as propriedades elétricas da interface SiO2/SiC: reoxidação em
O2 e H2O (vapor d’água) e tratamentos térmicos em H2 e NO. Na etapa em
que foi investigado o efeito da temperatura de reoxidação em estruturas
SiO2/SiC, foram utilizadas técnicas de microscopia de força atômica e
análise por reação nuclear, que nos permitiram concluir que uma
reoxidação em O2 realizada a baixa temperatura reduz a rugosidade da
interface, enquanto que uma reoxidação em alta temperatura aumenta a sua
rugosidade, provavelmente aumentando os defeitos eletricamente ativos
dessa estrutura. Na segunda etapa, investigamos a incorporação,
distribuição em profundidade e dessorção de hidrogênio no sistema
SiO2/SiC utilizando análises por reações nucleares. Observamos uma
ligação química do hidrogênio muito mais forte com a estrutura SiO2/SiC e
com SiC do que no caso do SiO2/Si e do Si. O efeito de tratamentos
térmicos em atmosfera de NO e O2 feitos em diferentes seqüências também
foi investigado. Através de análises por Espectroscopia de Fotoelétrons
induzidos por Raios-X, análises com feixes de íons e curvas
Capacitância-Voltagem, foi observada uma forte troca isotópica entre o
oxigênio da fase gasosa e o oxigênio do filme dielétrico, além do
benéfico efeito do nitrogênio nas propriedades elétricas da interface
SiO2/SiC. As investigações da incorporação de vapor d’água nos filmes de
SiO2 crescidos sobre SiC e sobre Si, feitas utilizando análises com
feixes de íons, mostraram diferenças marcantes na interação da água com
as duas estruturas. Houve maior incorporação de oxigênio no filme
pré-existente de SiO2 sobre SiC do que em SiO2/Si, evidenciando uma
maior concentração de defeitos nesses filmes sobre SiC. Hidrogênio
também foi incorporado em maiores quantidades nas estruturas SiO2/SiC em
regiões defeituosas do filme dielétrico e da interface SiO2/SiC.
Esforços para relacionar as propriedades físico-químicas observadas com
as propriedades elétricas das estruturas foram feitos ao longo de todo o
trabalho.
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15 de mar. de 2012
Estudo do alcance de íons pesados (29 menor ou igual Z1 menor ou igual 83) em alvos de berílio, carbono e dióxido de silício
Neste trabalho estudamos experimentalmente, através da técnica de
retroespalhamento de Rutherford, a distribuição de vários elementos
C295. 2.15 83) implantados em filmes de Be, C e SiOz, na faixa de
energia entre 10 e 400keV. Os resultados experimentais foram comparados
com as predições teóricas desenvolvidas por Ziegler. Biersack e Littmark
C2BL). Nossos resultados apresentam várias características distintas:
para substratos de SiOz, obtivemos um acordo muito bom entre valores
teóricos e experimentais do alcance projetado Rp e alguns desvios na
largura do perfil de implantação ARp. Contudo, para os alvos de C e Be.
encontramos grandes discrepâncias com os cálculos de ZBL. Para Bi, Pb,
Au, Yb, Er, Eu e Cu em C e para Bi, Pb e Cu em Be. os valores
experimentais de alcance excedem os teóricos em mais de 40%, ficando em
média entre 25 e 30%. As diferenças são praticamente independentes da
energia de implantação. Além disso, as larguras longitudinais do perfil
de implantação também são fortemente subestimadas pelos cálculos
Cchegando até a um fator 2). É mostrado que esses desacordos não podem
ser atribuídos a imprecisões no potencial elástico ZBL ou ao poder de
freamento eletrônico ZBL. Entretanto, se considerarmos a inclusão de
colisões inelásticas no cálculo do poder de freamento nuclear, o poder
de freamento total pode ser significativamente reduzido, nos casos de
íons pesados incidindo em alvos leves. Como conseqüência deste
tratamento, conseguimos obter um excelente acordo com os nossos
resultados experimentais.
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14 de mar. de 2012
Nanopartículas de ródio encapsuladas em sílica utilizando líquidos iônicos e aplicação em reações de hidrogenação
Neste trabalho descreve-se uma rota de preparação de nanopartículas de
ródio (4 nm diâmetro médio) dispersas no líquido iônico
tetrafluoroborato de 1-n-butil-3-metilimidazólio (BMI.BF4) e suportadas
na rede de sílica pelos métodos sol-gel e grafting. Na preparação pelo
método sol-gel (ácido ou básico) obteve-se materiais com diferentes
quantidades de líquido iônico encapsulado e diferente morfologia da
matriz de sílica. A quantidade de ródio suportado nos xerogéis
resultantes foi (0,1% m/m). A condição ácida de preparação resultou em
sílica com maior quantidade de líquido iônico encapsulado e com diâmetro
de poro maior, podendo ser considerada como responsável pela atividade
catalítica observada na hidrogenação de alcenos. A alta quantidade de
líquido iônico incorporado pode ser importante para garantir a
estabilidade das nanopartículas. O material catalítico preparado pelo
método sol-gel pode ser recuperado por decantação e reutilizado por 10
vezes sem perda da atividade catalítica. As micrografias obtidas por
microscopia eletrônica de transmissão do catalisador isolado depois de
dez recargas mostraram que o material recuperado não apresentou sinais
aparentes de aglomeração. A combinação (líquido iônico
encapsulado/nanopartículas de ródio/sílica) exibe um excelente efeito
sinérgico que aumenta a atividade catalítica e a robustez das
nanopartículas de ródio para hidrogenação. Todos os sistemas suportados
preparados foram mais ativos do que nanopartículas isoladas.
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9 de mar. de 2012
Caracterização das superfícies e regiões interfaciais de filmes nanométricos de TiN/Ti/Aço AISI M2 nitretado a plasma
Este trabalho apresenta uma análise das superfícies e das regiões
interfaciais da estrutura nanométrica de TiN sobre o substrato de aço
AISI M2 nitretado a plasma com uso de camada intermediária de Ti. O
objetivo da investigação foi identificar os principais componentes
químicos formados nesta estrutura e como estes estão distribuídos na
região de interface filme-substrato. O efeito da pré-nitretação do
substrato nas ligações interfaciais foi o foco principal. A nitretação a
plasma do substrato foi do tipo brilhante (bright nitriding), ou seja,
baixa temperatura (400oC) e mistura pobre em nitrogênio (5% de N2 em
balanço com H2) para evitar a formação de camada de compostos. Depois de
calibradas as taxas de deposição do TiN e do Ti em substratos de
silício, filmes ultrafinos de TiN e Ti (menores que 10 nm), a
temperatura ambiente, foram depositados por sputtering reativo nas
amostras de aço rápido. A taxa de deposição e a estequiometria foram
obtidas por espectrometria de retroespalhamento Rutherford (RBS) e por
análises por reações nucleares (NRA). Também foi analisado o perfil de
Ti por espalhamento de íons de média energia (MEIS). A caracterização
química das superfícies e interfaces das amostras de aço e do sistema
composto TiN/Ti/Aço foi realizada por espectroscopia de fotoelétrons
excitados por raios X (XPS). As interfaces e os perfis de concentração
do Ti e do N, foram analisada por espalhamento de íons de média energia
(MEIS) e pelo uso de ressonâncias estreitas na curva de seção de choque
(NRP). Os resultados mostraram a formação de nitretos de ferro e de
cromo na camada de difusão da superfície nitretada e uma menor
quantidade relativa de óxidos e hidróxidos metálicos nesta superfície.
No sistema TiN/Ti/Aço, a nitretação do substrato induziu a formação de
uma maior quantidade de nitretos de Ti, Fe e Cr nesta estrutura. As
análises dos perfis de concentração mostraram que a interdifusão nas
interfaces (TiN/Ti e Ti/Aço) foi significativamente intensificada na
amostra com substrato de aço nitretado. O efeito da desoxidação
promovido pela nitretação a plasma e o incremento da interdifusão
interfacial vão ao encontro de uma transição de propriedades mais suave e
de uma maior adesão do revestimento duro ao substrato de aço.
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8 de mar. de 2012
Estudo de difusão de impurezas introduzidas por implantação iônica em polímeros
No presente trabalho estudamos de forma sistemática a difusão de
impurezas em filmes poliméricos usando as técnicas de implantação iônica
e análise por feixe de íons, retroespalhamento Rutherford e de perfil
de profundidade por nêutrons. Com este propósito foram implantadas e
realizadas medidas em diferentes intervalos de temperatura para
diferentes sistemas como (Au, Ag) no fotoresiste AZ1350, (Bi, Eu, Er, B)
no fotoresiste S1813 e (Xe, Kr) no termoplástico Poliestireno. Como
resultado mostrou-se que para implantações em baixas energias e
fluências Au, Ag seguem uma difusão regular. Os valores obtidos para os
parâmetros de difusão são semelhantes indicando assim um mecanismo de
difusão verdadeiramente atômico. É mostrado também que com o aumento da
fluência, devido aos danos gerados pelo processo de implantação, átomos
são aprisionados na região implantada levando a um mecanismo de difusão
por aprisionamento e liberação. Contudo, mostrou-se que a energia de
ativação indica que este processo de difusão ainda é de caráter atômico.
Da análise dos valores de D observamos um efeito de massa associado
onde D(T)Au < D(T)Ag, pois a massa de Ag é duas vezes menor que a de
Au. Para os elementos como Bi, Eu e Er, considerados quimicamente mais
ativos que Au, não foram observados efeitos de possíveis ligações
químicas nestes sistemas. Valores de energia de ativação de Bi
apresentaram-se próximos aos de Au para as fluências de implantação
aplicadas, o mesmo ocorrendo para a difusão de Er e Eu. O B mostrou que
depois de implantado difunde durante ou imediatamente após a
implantação. Difusão esta dada na presença de armadilhas saturáveis
induzidas por radiação, indo além da difusão térmica, por ordem de
magnitude de ≈10-12, contra ≈10-13 cm2s-1, respectivamente. Quanto a Xe e
Kr, observou-se que estes também difundem durante ou imediatamente após
a implantação, e que a fração do gás retido no pico depende da fluência
implantada. Implantações em baixa temperatura (80 K) e posteriores
análises foram determinados in situ por RBS na faixa de 80 a 300 K.
Verificou-se que a difusão segue um perfil regular. Em cada caso
mostrou-se que a dependência dos valores de D como função da temperatura
segue um comportamento tipo Arrhenius, com valores de energia de
ativação para os metais (Au, Ag, Bi) entre 580 e 680 meV, para os
lantanídeos (Er, Eu) valores entre 525 a 530 meV, para o semi-metal (B)
100 meV, e finalmente para os gases nobres Kr e Xe entre 40 e 67 meV.
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4 de mar. de 2012
Estabilização de nanoestruturas dielétricas de alta permissividade por incorporação de nitrogênio
Atualmente os candidatos mais prováveis para aplicação como dielétrico
de porta nas próximas gerações de dispositivos MOSFET são os filmes de
silicato e aluminato metálicos com nitrogênio em sua composição. Neste
trabalho são investigados filmes de oxinitreto de háfnio e silício
(HfSixOyNz), oxinitreto de alumínio (AlOxNy), e oxinitreto de lantânio e
alumínio (LaAlxOyNz) depositados sobre Si utilizando diferentes
técnicas de preparação. O objetivo deste estudo é avaliar a estabilidade
térmica dessas estruturas e o efeito da presença do nitrogênio no que
diz respeito ao transporte atômico e reações químicas durante
tratamentos térmicos pós-deposição. Os tratamentos térmicos realizados
buscam simular as etapas de processamento térmico inerentes do processo
de fabricação de um MOSFET, como, por exemplo, a etapa de ativação de
dopantes da fonte e do dreno do dispositivo. Esses tratamentos térmicos
são realizados em temperaturas que variam de 600oC até 1000oC em
atmosfera inerte ou oxidante. Foi observado que a presença de
nitrogênio inibe o transporte atômico e, conseqüentemente,
instabilidades composicionais quando comparado com filmes sem
nitrogênio. Em particular, as espécies oxidantes desempenham um papel
importante na compreensão da estabilidade físico-química dessas
estruturas durante os tratamentos térmicos, uma vez que o nitrogênio
modifica a difusão e a incorporação de oxigênio. Além disso, observa-se
que parte do nitrogênio é removido dessas estruturas com o tratamento
térmico em atmosfera oxidante. Essa perda acontece principalmente
através de um processo de troca entre o nitrogênio do filme e o oxigênio
da fase gasosa. Nesta tese foi realizado um estudo sistemático dessas
estruturas e as possíveis causas das observações realizadas são
discutidas, assim como alguns mecanismos são propostos para explicar os
resultados experimentais. Esta tese aporta uma importante contribuição
para essa área de pesquisa e para o avanço da tecnologia CMOS nos
próximos anos.
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3 de mar. de 2012
Nanoestruturas luminescentes ß-FeSi 2 produzidas pela técnica de implantação e irradiação iônica : caracterização estrutural e óptica
Neste trabalho, apresentamos um estudo sistemático das propriedades
estruturais e ópticas de nanopartículas FeSi2, sintetizadas em matriz
SiO2/Si por implantação iônica, seguida de cristalização epitaxial
induzida por feixe de íons (IBIEC) e tratamentos térmicos em atmosfera
95 % N2 - 5 % H2. A cada etapa do processo de síntese, a formação e
crescimento de nanopartículas FeSi2, bem como a produção de defeitos,
foi caracterizada estruturalmente e correlacionada com as propriedades
de emissão de luz. Para fins de interpretação dos resultados, um
conjunto de amostras contendo Ni foi sintetizado nas mesmas condições
experimentais que as amostras de Fe e suas propriedades estruturais e
ópticas também foram estudadas. Através do processo de recristalização
IBIEC obtivemos importantes informações sobre as propriedades
vibracionais da fase metálica γ-FeSi2 e sua metaestabilidade quando
formada a baixa concentração de Fe. Em particular, a transição desta
fase via temperatura de recozimento para a fase semicondutora β-FeSi2
foi investigada detalhadamente. A natureza do gap fundamental de energia
do composto semicondutor também foi avaliada. Em experimentos em função
da temperatura de tratamento térmico, observou-se que concomitantemente
à formação e crescimento de nanopartículas semicondutoras, existe uma
complexa evolução de defeitos opticamente ativos. De acordo com a
temperatura de recozimento, bandas de fotoluminescência (PL) na região
espectral do infravermelho próximo (0.7 eV - 0.9 eV) com diferentes
intensidades e morfologias foram detectadas a 2 K. Baseado nos
resultados das caracterizações estruturais e ópticas do sistema SiO2/Si +
nanopartículas FeSi2, juntamente com resultados PL experimentais
comparativos da formação do composto metálico NiSi2, as origens físicas
das distintas luminescências observadas foram discriminadas em termos de
emissões intrínsecas do semicondutor β-FeSi2 e de específicos tipos de
defeitos na matriz de Silício que atuam como centros de recombinação
radiativa.
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2 de mar. de 2012
Utilização da técnica de espectrometria de fluorescência de raios X para determinação de resíduos catalíticos em polímeros comerciais
A quantificação de teores de resíduos catalíticos em resinas produzidas
pela indústria petroquímica constitui-se em etapa importante para
controlar a qualidade do produto. Embora teoricamente ofereça condições
interessantes, ressaltando a possibilidade de análise direta de matrizes
poliméricas em corpos de prova com espessuras e tamanhos variados,
procedimentos simplificados para a preparação das amostras, tempo e
custo operacional baixos para a quantificação, uma rápida busca na
literatura aponta que a técnica de XRF é pouco utilizada para esse fim.
No presente trabalho, estudos foram desenvolvidos para avaliar a
adequação da técnica de XRF para a quantificação de teores residuais de
metais em polímeros comerciais. Para tanto, polietilenos produzidos por
catalisadores Ziegler-Natta, Philips e metalocenos foram analisados por
XRF. Padrões sintéticos a partir de cera comercial foram confeccionados
visando à determinação quantitativa de resíduos metálicos e foram
comparados àqueles preparados através de mistura de polietileno isento
de metais, empregado como matriz, com óxido metálico pulverizado,
seguido pelo processamento de moagem, para homogeneização adequada. A
homogeneidade de distribuição dos metais nos padrões sintéticos foi
avaliada estatisticamente e considerada adequada para aplicação em
determinações quantitativas. Disponível comercialmente, o material de
referência certificado ERM - EC680 (IRMM) foi utilizado nos estudos. Os
limites de detecção obtidos para os metais estudados nas diferentes
amostras de polietilenos por WDXRF foram: 12 mg kg-1 para Mg, 0,8 mg
kg-1 para Ti, 1,6 mg kg-1 para Cr, 1,2 mg kg-1 para Zr e 1,9 mg kg-1
para V. Por SR - TXRF, o limite de detecção obtido para V foi igual a
1,4 µg L-1. Por razões comparativas, a determinação de resíduos
metálicos foi avaliada também por RBS.
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28 de fev. de 2012
Implantação iônica e difusão auxiliada por radiação de estanho em ferro e aços
O objetivo deste trabalho é estudar a composição, a estrutura e a
morfologia de superfícies de ferro e aços impurificados com estanho,
tanto por implantação iônica direta mo por Jiru ão auxiliada por
radiação. Amostras de ferro puro, de um aço-ferramenta e de um aço
inoxidável austenítico fo ram tratadas por esses dois processos e
analisadas por CEMS ("Conversion Electron MOssbauer Spectroscopy") e RBS
("Rutherford Backscattering Spectrometry"). Em todos os casos
estudados, verifica-se a formação de fases intermetálicas diferentes das
obtidas mediante procedimentos convencionais sob condições de
equilíbrio termodinâmico. Essas fases de não-equilíbrio são
interpretadas como ligas amorfas ou soluções sólidas de estrutura
cristalina fortemente danificada, constituidas basicamente de Fe e Sn,
com al gum conteúdo de C, Cr ou Ni, conforme o tipo de material em es
tudo. A tendência para a formação dessas fases de não-equilíbrio
mostra-se mais pronunciada nas amostras diretamente implantadas do que
nas tratadas por difusão auxiliada por radiação. Em todos os casos
estudados, verifica-se a formação de fases intermetálicas diferentes das
obtidas mediante procedimentos convencionais sob condições de
equilíbrio termodinâmico. Essas fases de não-equilíbrio são
interpretadas como ligas amorfas ou soluções sólidas de estrutura
cristalina fortemente danificada, constituidas basicamente de Fe e Sn,
com al gum conteúdo de C, Cr ou Ni, conforme o tipo de material em es
tudo. A tendência para a formação dessas fases de não-equilíbrio
mostra-se mais pronunciada nas amostras diretamente implantadas do que
nas tratadas por difusão auxiliada por radiação. Estuda-se também a
evolução térmica das superfí cies tratadas. Verifica-se que, quando
submetidas a temperaturas progressivamente mais elevadas, as fases de
não-equilíbrio evoluem para fases idênticas às obtidas mediante
procedimentos convencionais sob condições de equilíbrio termodinâmico.
Os compostos íntermetálicos assim obtidos tendem a sofrer decomposição a
temperaturas inferiores às prescritas nos diagramas de fase dr
equilíbrio. No caso do ferro puró, sugere-se ainda a formncy de
micro-precipitados de estanho nos contornos de grão. Os resultados
obtidos são interpretados em terhlos de, dstudos recentes sobre a
formação de fases intermetálicas amorfas ou meta-estáveis por
implantação iônica e difusão auxiliada por radiação. Mostram-se
finalmente, de forma tentativa, as possíveis conexões entre os
resultados relatados e as alterações observadas nas propriedades
tribológicas e na resis tência à oxidação térmica do ferro e aços
tratados com estanho pelos dois processos mencionados.
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Nanoestruturas luminescentes de Ge e Sn em camadas de SiO/sub 2/ implantadas com íons
Neste trabalho estudam-se as propriedades de nanoestruturas de Ge e Sn
formadas em amostras de SiO2/Si(100) através dos processos de
implantação iônica e tratamento térmico. A formação de nanocristais de
Ge foi investigada em função de tratamentos térmicos em ambiente de N2.
Os resultados obtidos foram correlacionados com as propriedades de
luminescência das amostras, sendo feita uma discussão sobre os
mecanismos atômicos envolvidos no processo de crescimento dos
nanocristais de Ge, bem como seus efeitos na criação de centros
luminescentes no interior da camada de SiO2, que são responsáveis por
intensas bandas de fotoluminescência (PL) nas regiões espectrais do
azul-violeta (≈ 3,2 eV) e ultravioleta (≈ 4,2 eV). Além disso,
experimentos de irradiação com diferentes íons (He+, Si+, Kr++, Au+)
foram realizados antes da implantação do Ge com o objetivo de estudar o
efeito de memória que os danos criados pela irradiação apresentam sobre
as propriedades estruturais e luminescentes das amostras de SiO2/Si(100)
No estudo das amostras de SiO2/Si(100) implantadas com Sn, a síntese
de nanopartículas de Sn foi estudada em função da temperatura e do
ambiente de tratamento térmico (N2 e vácuo). De maneira pioneira
mostrou-se que através da manipulação desses parâmetros é possível
formar desde grandes nanocristais bi-fásicos de Sn (≈ 12 a 25 nm) em
estruturas concêntricas com núcleo de β-Sn e camada externa de SnOx, até
pequenas nanopartículas de Sn com diâmetros de ≈ 2 nm e uniformemente
distribuídas ao longo da camada de SiO2. Além disso, observou-se que a
evolução estrutural do sistema de nanopartículas de Sn influencia
diretamente as características das emissões de PL azul-violeta e UV. Por
fim, um outro aspecto das nanoestruturas de Sn foi estudado: a formação
de um denso arranjo de ilhas epitaxiais de β-Sn na região de interface
SiO2/Si. Este sistema de nano-ilhas, que cresce epitaxialmente, é
uniformemente distribuído sobre a superfície do Si, apresentando uma
pequena dispersão em tamanho e tendência a se auto-organizar. A criação
desse sistema de nano-ilhas epitaxiais através da utilização da
implantação iônica é um processo inédito, sendo discutida aqui com base
nas propriedades de equilíbrio do sistema Sn-Si.
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27 de fev. de 2012
Formação de ilhas metálicas de Sn e Pb em interfaces SiO2/Si e SiO2/Si3N4 via implantação iônica e tratamento térmico
Neste trabalho estudou-se a estruturação de partículas de Sn ou Pb em
interfaces SiO2/Si e SiO2/Si3N4 pela técnica de implantação iônica
seguida de tratamento térmico em alta temperatura. A formação de
partículas de Sn em interfaces SiO2/Si foi estuda em função do tempo de
recozimento em fluxo de N2. Os dados experimentais demonstraram que este
método leva a formação de partículas com bases quadradas de ≈ 8,0 nm de
largura que crescem epitaxialmente a partir do substrato de Si. Os
resultados foram discutidos com base nas propriedades de equilíbrio do
sistema Si-Sn bem como em argumentos cinéticos referentes à
redistribuição dos átomos implantados. A influência da inclusão de uma
etapa de tratamento térmico de envelhecimento em baixas temperaturas
antes do recozimento necessário para a formação de partículas na
interface foi também estudada. Foi demonstrado, de forma pioneira, a
possibilidade de estruturar exclusivamente a região da interface SiO2/Si
via implantação iônica. Os resultados foram discutidos considerando um
modelo fenomenológico baseado em argumentos termodinâmicos relacionados à
dependência da energia de interface partícula/matriz com o tamanho de
partículas que podem resultar em pequenas partículas de Sn possuindo
elevada estabilidade térmica. Em particular demonstrou-se de maneira
inédita que o método de envelhecimento seguido de recozimento em altas
temperaturas é capaz de produzir filmes cuja intensidade da resposta
luminescente é o dobro das camadas não submetidas a esse processamento.
A nucleação e crescimento de partículas de Sn em interfaces SiO2/Si3N4
também foi estudada. Esse sistema é interessante, pois permite a
aplicação do processo de síntese de partículas por implantação iônica na
elaboração de dispositivos de memória tipo flash. Além disso, esse
estudo evidenciou a possibilidade de modificar a distribuição em
tamanhos das partículas formadas na interface SiO2/Si3N4 pela aplicação
de um segundo recozimento em alta temperatura, aumentando assim o
controle sobre as estruturas formadas na interface SiO2/Si3N4. O estudo
nanopartículas de Pb em interfaces SiO2/Si(100) demonstrou a formação de
partículas com tamanhos menores que 7,0 nm. Essa investigação mostrou a
tendência das partículas de se enterrarem no substrato de Si quando
utilizados recozimentos de longa duração. Essas partículas enterradas no
Si exibem estruturas piramidais cujas bases são quadradas e suas faces
formam interfaces com os planos [111] do substrato de Si. Aumentando a
quantidade de Pb transferida para a interface SiO2/Si(100) resultou na
formação de partículas com duas fases do tipo caroço/casca. Nesse caso o
caroço é composto de Pb metálico enquanto a casca é composta
provavelmente por uma liga Pb-Si. Diferentemente desse cenário a
formação de ilhas em interfaces SiO2/Si(111) demonstrou a possibilidade
de formar pela técnica de implantação iônica, estruturas com geometria
de calota esférica e que exibem comportamento de crescimento competitivo
(Ostwald ripening), onde as partículas menores se dissolvem alimentando
o crescimento das maiores.
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