A miniaturização de dispositivos tecnológicos levou à percepção de novas
classes de efeitos devidos ao con namento quântico e à mudança na
proporção entre número de átomos presentes na superfície e no volume de
estruturas que atingem a escala nanométrica, levando à noção de
nanociência e nanotecnologia. Dentre os desa os impostos por essas áreas
emergentes encontram-se os desa os para os métodos analíticos, em
particular para os métodos baseados em feixes de íons, que tiveram um
papel fundamental na tecnologia do silício. O uso de feixes de íons para
a caracterização de nanoestruturas não é muito difundido devido a
limitações na resolução espacial e no dano causado pelos íons
energéticos incidentes nas nanoestruturas. Nesta tese é apresentado o
estado da arte das aplicações da análise por feixes de íons na
nanotecnologia e são descritos avanços direcionados à adoção de métodos
analíticos de feixes de íons para as nanociências. Serão abordados os
principais métodos de per lometria com alta resolução em profundidade,
em especí co a per lometria utilizando reações nucleares com
ressonâncias estreitas em suas curvas de seção de choque (RNRA, do
inglês Resonant Nuclear Reaction Analysis ) e espalhamento de íons de
energias intermediárias (MEIS do inglês Medium Energy Ion Scattering ).
Uma vez que os modelos convencionais, baseados em uma aproximação
Gaussiana, não são adequados para descrever o espectro de espalhamento
de íons correspondente a estruturas nanométricas, neste trabalho foram
desenvolvidos modelos que descrevem adequadamente os processos de perda
de energia dos íons na matéria, viabilizando a adoção sistemática de
espalhamento de íons de energias intermediárias para a análise de
nanoestruturas. Aplica ções recentes de RNRA e MEIS para eletrodos de
porta metálicos e dielétricos com alta constante dielétrica sendo
incorporados à tecnologia MOSFET atual são apresentadas como avaliação
dos métodos.
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Bem vindo ao blog de discussões referentes à análise e modificação de materiais por feixes iônicos e suas contribuições nas diversas áreas da Ciência.
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24 de mar. de 2012
23 de mar. de 2012
Estudo de superficies metálicas utilizando MEIS : a importância da forma de linha
Espalhamento de íons com energia média (MEIS), em conjunto com as
técnicas de sombreamento e bloqueio, representa um poderoso método para a
determinação de parâmetros estruturais e vibracionais de superfícies
cristalinas. Esta determinação é realizada pela comparação do rendimento
de íons detectados em função do Ângulo de espalhamento, as chamadas
curvas de bloqueio, com simulaçõe computacionais. Em geral, um número
grande de estruturas-tentativa é utilizada e a melhor concordância entre
resultados experimentais e teóricos encontrada é considerada a
estrutura real. Apesar do imenso sucesso, este tipo de abordagem na
determinação da superfície não é únivoco em determinados sistemas. Além
disso, as formas do espectro de perda de energia iônica não são,
normalmente, analisadas pois requerem um conhecimento profundo dos
mecanismos de transferência de energia. A probabilidade de
excitação/ionização para cada camada interna em uma colisão única
representa um aspecto importante. Neste trabalho, cálculos por Canais
Acoplados são usados para o descrever os mecanismos de transferência de
energia em conjunto com a simulação Monte Carlo das trajetórias iônicas
no interior do cristal. Este método possibilita a simulação da
distribuição de perda de energia do pico de superfície para diversos
sistemas físicos. Primeiramente, foi realizado estudo com deposição de Y
e a formação do siliceto bidimensional Si(111)(1×1)-Y para diversas
preparações da superfície e diferentes ângulos de espalhamento. Os
resultados mostraram que existem contribuições para o espectro em
energia referentes á rugosidade e não homogeneidade da superfície.
Entretanto, para incidência e detecção do feixe de íons quase-normais á
superfície da amostra, a concordância entre os espectros em energia
simulados e experimentais é satisfatória. Posteriormente, foi realizado
um estudo com a deposição de fração de monocamada de metais alcalinos
(K, Rb e Cs) sobre Al(111). A perda de energia, neste caso, pode ser
completamente atribuída a colisões atômicas únicas nos metais alcalinos.
Os espectros de energia experimentais referentes a Rb e Cs apresentam
notável assimetria em relação ao K, fenômeno este atribuído ás
excitaçõesde elétrons 3d e 4d, respectivamente, e a múltiplas ionizações
destes estados. Houve excelente concordância entre teoria e experimento
referente aos espalhamentos por Rb e Cs. Com relação ao K, ocorreu
discrepÂncia na região de baixa energia do espectro, resultante de
problemas com a preparação da amostra. Finalmente, tanto o espectro em
energia quanto as curvas de bloqueio referentes á medidas na superfície
limpa de Cu(111) foram simulados e comparados com resultados
experimentais. A determinação da superfície através do método “clássico”
mostrou que alguns conjuntos de parâmetros estruturais e vibracionais
podem resultar em curvas de bloqueio idênticas. Por outro lado, a
simulação dos espectros em energia, não apresentou estes problemas, o
que sugere fortemente a necessidade de um modelo com correlação (ƒcorr =
0,4). Este resultado mostra que a simulação do espectro em energia pode
ser utilizado em conjunto com a simulação das curvas de bloqueio de
forma a servir de ferramenta auxiliar na determinação de parâmetros
estruturais e vibracionais de superfícies.
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20 de mar. de 2012
Medida da perda de energia de moléculas da hidrogênio através da técnica MEIS
O estudo da interação de íons moleculares com a matéria tem sido alvo de
diversos trabalhos, tanto teóricos quanto experimentais, ao longo das
últimas décadas. Comparativamente ao que ocorre com íons monoatômicos,
os fenômenos envolvendo íons moleculares são mais complexos e não tão
bem compreendidos. No estudo da perda de energia, observam-se efeitos
moleculares que não ocorrem com íons monoatômicos. Além da força de
freamento, a perturbação que cada constituinte da molécula incidente
provoca nos elétrons do meio durante seu deslocamento afeta os demais
componentes da molécula original, fazendo com que estes experimentem uma
força extra. Este fenômeno é conhecido como efeito de interferência ou
vizinhança, e sua magnitude é considerável apenas nos instantes iniciais
da molécula dentro do alvo, enquanto os constituintes ainda estiverem
correlacionados. A influência deste efeito sobre os íons incidentes pode
ser verificada através da interação de íons moleculares com camadas
muito finas de um determinado alvo. Outro fenômeno observado na
interação de íons moleculares com a matéria é a chamada explosão
coulombiana, decorrente da força de repulsão que causa o progressivo
afastamento entre si dos constituintes da molécula após a perda de seus
elétrons nas primeiras camadas do material. Com base nestas
considerações, este trabalho se propõe a avaliar a perda de energia
eletrônica de feixes de H2+ e H3+ relativamente a feixes monoatômicos
(H+), incidentes sobre filmes ultrafinos de SiO2 (10-25 Å), crescidos
sobre um substrato de Si cristalino. Para tanto, utilizamos a técnica
MEIS (Medium Energy Ion Scattering) que permite a obtenção de espectros
de energia/profundidade destas camadas ultrafinas com alta resolução.
Com o auxílio de um software desenvolvido para a análise de espectros
provenientes de experimentos com a técnica MEIS, determinamos os fatores
de perda de energia eletrônica de íons H2+ e H3+ com relação a íons H+,
juntamente com uma análise do straggling de energia para estes
diferentes íons. Os experimentos foram realizados como função das
energias das partículas incidentes, cobrindo uma faixa de energias entre
40 e 150 keV/uma para íons H3+ e entre 40 e 200 keV/uma para íons H2+.
Os resultados mostram que a razão entre a perda de energia da molécula e
a soma da perda de energia de seus constituintes é cerca de 0.85 para
ambos H2+ e H3+ em energias abaixo de 80 keV/uma. Para as energias mais
altas (acima de 120 keV/uma), esta razão atinge aproximadamente 1.2 e
1.5 para H2+ e H3+ respectivamente. A região de transição ocorre entre
80 e 100 keV/uma, onde uma abrupta variação das razões das perdas de
energia é observada. Uma interpretação desses resultados em termos do
formalismo dielétrico mostrou-se adequada somente para energias acima de
100 keV/uma. Para mais baixas energias, efeitos não-lineares estão
presentes e o formalismo dielétrico tende a superestimar os resultados
experimentais. Além disso, tais cálculos mostraram a importância da
inclusão de excitações de plasmon na região acima de 100 keV/uma.
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17 de mar. de 2012
Redistribuição e ativação de dopantes em Si com excesso de vacâncias
A redistribuição e ativação elétrica dos dopantes tipo n (As e Sb) e
tipo p (Ga e In) em Si com excesso de vacâncias foram analisadas. As
vacâncias foram geradas por implantação iônica de altas doses de
oxigênio ou nitrogênio em alta temperatura, de acordo com procedimentos
já estudados. Em seguida foram implantados os dopantes com dose de
5x1014 cm-2 a 20 keV na região rica em vacâncias. Dopagens idênticas
foram realizadas em amostras de Si sem vacâncias e em SIMOX. Em seguida
foram feitos recozimentos a 1000ºC por 10 s ou 15 min. Os perfis
atômicos dos dopantes foram medidos com Medium Energy Ion Scattering e
os perfis dos dopantes ativados, com Hall diferencial. A redistribuição e
as propriedades elétricas de cada um dos dopantes no Si sem vacâncias
foram bastante similares às observadas no SIMOX, porém várias diferenças
foram observadas em relação às amostras com excesso de vacâncias. As
vacâncias reduziram a ativação elétrica do As e do Sb, mas
proporcionaram maior estabilidade da ativação após recozimentos longos.
A redistribuição destes dopantes foi infuenciada pelo íon usado na
geração das vacâncias, ou seja, nitrogênio ou oxigênio. O oxigênio
proporcionou maior dose retida de As e o nitrogênio, maior dose retida
de Sb. Já para o Ga e o In, as vacâncias tiveram papel fundamental na
sua redistribuição, diminuindo a difusão para fora das amostras e
garantindo maior dose retida. A ativação elétrica do Ga e especialmente a
do In foram baixas, onde observamos forte influência do íon
pré-implantado, principalmente o oxigênio.
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12 de mar. de 2012
Caracterização de nanoestruturas através da técnica MEIS
Espalhamento de íons de energia intermediária (MEIS) é uma técnica
analítica de feixe de íons que pode determinar quantitativamente
composições elbmentares e perfis I de profundidade com resolução
subnanométrica. Dessa maneira, MEIS pode ser uma poderosa ferramenta
para caracterização de nanopartículas, em partichlar das suas
composições internas, o que é dificilmente obtido por qualquer outra
técn~ca analítica. Para esse propósito, foi desenvolvido uma simulação
Monte Cado de espec~ros de MEIS que considera qualquer geometria e
distribuição de tamanhos das nanoestfuturas. Esse método também
considera a assimetria da distribuição da perda de ene~gia devido a uma
única colisão violenta, como a que ocorre no evento de
retroespalhaménto. Usando esse método, estudamos a influência da
geometria das nanopartículas, den~idade superficial, distribuição de
tamanhos e forma de linha da perda de energia nos espectros 2D (energia)
I e 3D (energia e ângulo) de MEIS. Os principais resultados desse
estudo podem ser resumidos como segre: i) observamos que a influência da
distribuição da perda de energia no espectro de MEIS é significativa
apenas para nanoestruturas pequenas (diâmetro < 10 nm) mas a
especificação da geometria correta das estruturas é significativa para
todos os tamanhos; ii) negligenciar a assimetria da perda de energia
devido à colisão de retroespalhamento pode resultar na interpretação de
uma falsa distribuição de tamanhos para nanopartículas pequenas; iii)
simulações para um exemplo hipotético de pequenas nanopartículas
esféricas de ZnSe mostram que a técnica MEIS é capaz de realizar perfil
de profundidade dentro das nano- I estruturas. Finalmente, medimos uma
amostra de nanopartículas de ouro, adsqrvidas sobre um filme
multicamadas de polieletrólitos fracos, a fim de obter a geometri e a
distribuição de nanopartículas de ouro por MEIS. Os resultados concordam
muito bem com a imagem obtida por microscopia eletrônica de transmissão
(TEM). Além disso, niostramos que os espectros de MEIS não podem ser
ajustados supondo um filme de ouro padrão.
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9 de mar. de 2012
Caracterização das superfícies e regiões interfaciais de filmes nanométricos de TiN/Ti/Aço AISI M2 nitretado a plasma
Este trabalho apresenta uma análise das superfícies e das regiões
interfaciais da estrutura nanométrica de TiN sobre o substrato de aço
AISI M2 nitretado a plasma com uso de camada intermediária de Ti. O
objetivo da investigação foi identificar os principais componentes
químicos formados nesta estrutura e como estes estão distribuídos na
região de interface filme-substrato. O efeito da pré-nitretação do
substrato nas ligações interfaciais foi o foco principal. A nitretação a
plasma do substrato foi do tipo brilhante (bright nitriding), ou seja,
baixa temperatura (400oC) e mistura pobre em nitrogênio (5% de N2 em
balanço com H2) para evitar a formação de camada de compostos. Depois de
calibradas as taxas de deposição do TiN e do Ti em substratos de
silício, filmes ultrafinos de TiN e Ti (menores que 10 nm), a
temperatura ambiente, foram depositados por sputtering reativo nas
amostras de aço rápido. A taxa de deposição e a estequiometria foram
obtidas por espectrometria de retroespalhamento Rutherford (RBS) e por
análises por reações nucleares (NRA). Também foi analisado o perfil de
Ti por espalhamento de íons de média energia (MEIS). A caracterização
química das superfícies e interfaces das amostras de aço e do sistema
composto TiN/Ti/Aço foi realizada por espectroscopia de fotoelétrons
excitados por raios X (XPS). As interfaces e os perfis de concentração
do Ti e do N, foram analisada por espalhamento de íons de média energia
(MEIS) e pelo uso de ressonâncias estreitas na curva de seção de choque
(NRP). Os resultados mostraram a formação de nitretos de ferro e de
cromo na camada de difusão da superfície nitretada e uma menor
quantidade relativa de óxidos e hidróxidos metálicos nesta superfície.
No sistema TiN/Ti/Aço, a nitretação do substrato induziu a formação de
uma maior quantidade de nitretos de Ti, Fe e Cr nesta estrutura. As
análises dos perfis de concentração mostraram que a interdifusão nas
interfaces (TiN/Ti e Ti/Aço) foi significativamente intensificada na
amostra com substrato de aço nitretado. O efeito da desoxidação
promovido pela nitretação a plasma e o incremento da interdifusão
interfacial vão ao encontro de uma transição de propriedades mais suave e
de uma maior adesão do revestimento duro ao substrato de aço.
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25 de fev. de 2012
Junções rasas em Si e SIMOX
Foi estudado o comportamento do As (dopante tipo n) em dois tipos
diferentes de substratos de Si: bulk e SIMOX (Separation by IMplanted
OXygen). Ambos os substratos receberam uma implantação de 5x1014 cm-2 de
As+ com energia de 20 keV. Após as implantações, as amostras foram
recozidas por um dos dois processos a seguir: recozimento rápido (RTA,
Rapid Thermal Annealing) ou convencional (FA, Furnace Annealing). A
caracterização física e elétrica foi feita através do uso de diversas
técnicas: SIMS (Secondary Ion Mass Spectrometry), RBS (Rutherford
Backscattering Spectrometry), MEIS (Medium Energy Ion Scattering),
medidas de resistência de folha, medidas Hall e medidas de perfil de
portadores por oxidação anódica. Na comparação entre os substratos
SIMOX e Si bulk, os resultados indicaram que o SIMOX se mostrou superior
ao Si bulk em todos os aspectos, ou seja, menor concentração de
defeitos e menor perda de dopantes para a atmosfera após os
recozimentos, maior concentração de portadores e menor resistência de
folha. A substitucionalidade do As foi maior no SIMOX após RTA, mas
semelhante nos dois substratos após FA. Na comparação entre RTA e FA, o
primeiro método se mostrou mais eficiente em todos os aspectos
mencionados acima. As explicações para o comportamento observado foram
atribuídas à presença de maior concentração de vacâncias no SIMOX do que
no Si bulk e à interação destas vacâncias com os dopantes.
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