Bem vindo ao blog de discussões referentes à análise e modificação de materiais por feixes iônicos e suas contribuições nas diversas áreas da Ciência.
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6 de ago. de 2012
Electrical and optical properties of defects formed by ion implantation
Uma apresentação entitulada "Electrical and optical properties of
defects formed by ion implantation" proferida por Brett C. Johnson da
School of Physics da University of Melbourne, Australia.
31 de mar. de 2012
Formação de nanopartículas de Sn e PbSe via implantação iônica em Si(100)
O silício (Si) é o material mais utilizado na fabricação de dispositivos
microeletrônicos e fotovoltaicos devido às suas excelentes propriedades
físicas e ao alto grau de desenvolvimento das tecnologias de produção
alcançadas pela indústria. Conseqüentemente, materiais compatíveis com o
Si são alternativas importantes para ampliar o desempenho e a
funcionalidade das próximas gerações de dispositivos. O principal
objetivo desse trabalho foi estudar sistematicamente a formação de
nanopartículas de Sn e de PbSe via implantação iônica seguida de
tratamentos térmicos (síntese por feixe de íons), em substrato de
silício com orientação (100). Três tipos de substratos foram
considerados: substrato sem defeitos, substratos contendo sistemas de
bolhas de Ne e substratos contendo cavidades vazias. A formação de
nanopartículas de estanho (Sn) foi tomada como caso modelo para otimizar
os parâmetros do processo de síntese por feixe de íons. O sistema
composto PbSe é interessante por ser semicondutor de gap direto, sendo
potencialmente útil para o desenvolvimento de dispositivos
optoeletrônicos e fotovoltaicos integrados com o Si. A caracterização
estrutural das amostras foi realizada através de técnicas de análise por
feixes de íons, como o Retroespalhamento Rutherford (RBS), RBS em
direção canalizada, detecção de partículas por recuo elástico (ERD) e
através da técnica de Microscopia Eletrônica de Transmissão (TEM). Os
principais pontos estudados foram: (i) os efeitos sobre o processo de
síntese de nanoppartículas causados pela amorfização da matriz durante a
implantação de íons de Sn+, Pb+ e Se+; (ii) o desenvolvimento de
estratégias de como evitar a amorfização através do aquecimento do
substrato; (iii) a perda de material implantado durante tratamentos
térmicos de alta temperatura realizados após a implantação; (iv) a
decomposição de cavidades e de bolhas e das próprias nanopartículas
inerente ao auto-bombardeamento iônico durante as implantações; (v) o
processo de nucleação de precipitados em sítios heterogêneos como
discordâncias, cavidades e bolhas; (vi) e a formação de nanopartículas
em diferentes tipos de substrato. Através da implantação de elementos
muito pouco solúveis em uma matriz, espera-se a formação de
nanopartículas dispersas de uma segunda fase pura (sem reagir com
elementos da matriz). Neste sentido, os resultados obtidos são
interessantes. Primeiro, no caso do Sn, apresentamos evidências da
formação de estruturas nanoscópicas de alta estabilidade térmica,
afetando o processo de nucleação e formação das fases α-Sn
(semicondutora) ou β-Sn (metálica) usuais para sistemas massivos.
Obtivemos a formação preferencial da fase β-Sn, e não obtivemos
evidência da formação de ligas Sn-Si ou a fase α-Sn que podem ser
obtidas através de processos de não equilíbrio como a co-deposição por
epitaxia de feixe molecular. Por outro lado, no caso da co-implantação
com íons de Pb+ e Se+, os resultados mostram ser possível formar
sistemas dispersos de nanopartículas de PbSe com estequiometria e
estruturas previstas em diagrama de equilíbrio para sistemas massivos.
Por fim, a presença de cavidades e bolhas, apesar de influenciar na
distribuição em tamanho das nanopartículas, não representa uma vantagem
específica como centro de segregação e nucleação preferencial de
impurezas no Si. Isso contradiz conceitos da literatura referentes ao
aprisionamento de impurezas bolhas ou cavidades, usualmente considerados
como técnicas para purificação de matriz, e aplicados na confecção de
dispositivos microeletrônicos e fotovoltaicos.
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30 de mar. de 2012
Perda de energia e fragmentação de íons moleculares em cristais
Os fenômenos decorrentes da interação entre íons monoatômicos e a
matéria têm sido amplamente estudados há décadas. No entanto, um esforço
comparativamente menor tem sido despendido no estudo dos fenômenos
decorrentes da interação entre feixes moleculares e a matéria,
especialmente quando o alvo do feixe é um sólido cristalino. Tais
fenômenos, como a transferência de energia entre o feixe e a matéria, a
emissão de raios X induzidos pelos feixes e a geração de produtos de
reação nuclear sofrem importantes modificações no caso de feixes
moleculares. Essas alterações estão longe de ser explicadas por uma
simples soma dos efeitos causados pelos componentes individuais do
aglomerado iônico. Em particular, no caso de interação com sólidos
cristalinos, a fragmentação dos aglomerados causada pela explosão
coulombiana causa importantes efeitos sobre o fluxo de íons ao longo do
sólido. Finalmente, efeitos de vizinhança entre os componentes do
aglomerado alteram sensivelmente o valor da energia transferida entre
este e o sólido. Na descrição desses fenômenos, empregou-se, neste
trabalho, de um lado, a construção de um modelo teórico para a perda de
energia de aglomerados e, de outro, técnicas experimentais envolvendo
contagens de retroespalhamento, indução de raios X pelo feixe de íons e
geração de produtos de reação nuclear por feixes de H+, H2 + e H3 + em
Si e SIMOX. Como elo entre teoria e experimento, empregaram-se
simulações que descrevem a interação entre os íons moleculares e o alvo.
Pela primeira vez, alterações de fluxo de íons causadas pela explosão
coulombiana foram quantificadas, valores de perda de energia foram
obtidos e, finalmente, uma nova expressão simplificada para a
transferência de energia foi obtida.
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27 de mar. de 2012
Estudo do crescimento de filmes de carbono sobre silício devido à irradiação com feixes de H e He
É bem conhecido que técnicas experimentais que fazem uso de feixes
iônicos induzem sobre a superfície dos alvos irradiados o depósito de
diversos tipos de impurezas. Este depósito é causado pelas interações
entre o feixe de íons, as moléculas de gás residual no interior das
câmaras de irradiação e a superfície da amostra. Apesar do fato deste
processo poder alterar significativamente os parâmetros de irradiações,
bem como afetar a análise de materiais tratados, os parâmetros
experimentais que influenciam na deposição das impurezas ainda não são
bem conhecidos e nem o depósito se encontra suficientemente
quantificado. No presente trabalho relatamos um estudo quantitativo da
deposição de carbono sobre amostras de Si (100) irradiadas com feixes de
He e H. A deposição de carbono foi determinada em função da fluência de
irradiação, variando diversos parâmetros experimentais, tais como:
pressão na câmara de irradiação, temperatura do alvo, densidade de
corrente do feixe, energia do feixe e o estado da carga do íon. Em todos
os casos a análise das amostras irradiadas foi feita pela técnica de
Retroespalhamento de Rutherford em direção Canalizada (RBS/C) e através
da reação nuclear ressonante 12C(a, a´)12C na energia de 4265 keV. Os
resultados experimentais mostram que se consegue minimizar a deposição
de C através: a) da redução do tempo de irradiação, b) da redução da
pressão na câmara de irradiação, c) do aumento da temperatura do alvo
durante a irradiação e d) minimização do poder de freamento do íon no
alvo.
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26 de mar. de 2012
Superfícies porosas recobertas com metalocenos : análise multivariada envolvendo caracterização com feixes de íons
Implementaram-se no Laboratório de Implantação IOnica do IF-UFRGS
técnicas de análise com feixes de ions paa a caracterização composiciond
de sistemas cataliticos de grande interesse para a produção de
polimeros sintéticos, do tipo metaloceno e organoalurninios ancorados à
superficie de grãos porosos de óxido de silício (silica).
Especificamente, aplicaram-se espectrometria de retroespalhamento
Rutherford (RBS) e emissão gama induzida por partículas (PIGE),
respectivamente, a determinação dos teores de zircônio (do metaloceno) e
de alumínio imobilizados sobre a sílica. Paralelamente, utilizaram-se
t4cnicas de análise multivariada (planos de Plackett-Burman e fatorial
completo de dois níveis) para determinar os efeitos de pa.rimetro de
preparação sobre as características composiçionais desses sistemas
cataliticos. Conduziram-se os trabalhos em dois estágios: inicialmente,
utilizando um plano de Plackett-Burman, estudaram-se os efeitos de (a)
seqüência de imobilização (organoaiuminios seguidos de metaloceno I ou
vice-versa); (b) concentração de metaloceno na etapa de ancoragem (1,5
ou 2,5% p/p Zr/Si02); (c) concentração de organoaluminios na
correspondente etapa de ancoragem (2 ou 4% p/p A1/SiO2 em
trimetilalumínio (TMA) mais 6 ou 12% p/p A1/Si02 em metilaluminoxana
(MAO)); (dj temperatura (30 ou 80°C); e (e) tempos de tratamento da
silica com rnetaloceno e com organoaluminios (1 ou 6 h). Verificou-se
que a concentração de metaloceno na etapa de ancoragem e o tempo de
tratamento do suporte têm efeito sobre o teor de zircônio irnobilizado, e
que a concentração de MA0 e a seqiiência de imobilização têm efeito
sobre o teor de alumínio imobilizado. Em uma segunda etapa, utilizando
um plana fatorial completo, estudaram-se os efeitos de (a) temperatura
(30 ou 80°C); (b) concentração de metaloceno (1,5 ou 2,5% pp/ Zr/SiOz); e
(c) concentração de MA0 (6 ou 12% ppJ A1/SiO2). Nesse caso,
verificou-se que as concentrações de rnetaloceno e de MA0 têm efeito
sobre o teor de zircônio imobilizado, e que a concentração de MA0 e a
interação entre as concentrações de rnetaloceno e de MA0 têm efeito
sobre o teor de alumínio imobilizado. Comparam-se dados obtidos por REIS
e PIGE a resultados da técnica analítica convencionalmente apIicada a
catalisadores ancorados. No caso de PIGE, um estudo abrangente das
condições de análise levou a considerável evolução a partir do mktodo
inicialmente proposto. As técnicas de análise por feixes de ions RBS e
PIGE como implementadas a partir deste trabalho vêm sendo
satisfatoriamente aplicadas a caracterização dos sistemas cataliticos de
interesse, com vantagens sobre os métodos convencionais.
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25 de mar. de 2012
Construção e caracterização de um sistema de desbastamento iônico
Este trabalho trata do desenvolvimento de um equipamento de
desbastamento iônico aplicado ao afinamento de amostras para análise com
a técnica de microscopia eletrônica de transmissão (MET). A técnica de
MET é uma das mais importantes para a caracterização da microestrutura
de praticamente todas as classes de materiais sólidos. Contudo, esta
técnica requer amostras suficientemente finas (espessuras típicas da
ordem de 100 nm) para que os elétrons transmitidos proporcionem
informação relevante da microestrutura. Com exceção do sistema de vácuo,
todos os demais componentes do equipamento (fonte de íons, câmara de
vácuo, fonte de alta tensão e suporte mecânico das amostras) foram
construídos na UFRGS. O equipamento foi testado através da preparação de
amostras de silício. As amostras obtidas apresentam áreas de observação
amplas e suficientemente finas permitindo uma caracterização
microestrutural detalhada mesmo com feixes de elétrons acelerados com
potencial de 120 kV. Além disso, os valores de taxa de desbaste em torno
de 1,5 mm/h foram obtidos em amostras bombardeadas com íons de Ar+
acelerados com um potencial de 6 kV. Tais resultados mostram que o
equipamento tem uma performance semelhante a um equipamento comercial A
segunda contribuição do trabalho foi a de introduzir um estudo
sistemático sobre a formação de camadas amorfas e a produção de átomos
auto intersticiais dentro da região cristalina das amostras de silício.
Trata-se de um assunto atual pois tais efeitos ainda não são bem
conhecidos. Apesar do estudo ter sido realizado em um material
específico (Si), os resultados obtidos podem ser aproveitados como
modelo para outros materiais. A formação de camadas amorfas foi
caracterizada em função dos parâmetros: ângulo de incidência e energia
do feixe de íons de Ar+ e temperatura da amostra durante a irradiação. A
produção e/ou injeção de átomos auto intersticiais na região cristalina
foi estudada em função do ângulo de incidência e da energia do feixe de
íons. Os resultados mostram que a espessura da camada amorfa cresce com
o aumento da energia e do ângulo de incidência do feixe e com a
diminuição da temperatura do alvo. A taxa de produção de átomos
intersticiais dentro da região cristalina apresenta um máximo para
ângulos em torno de 15° independentemente da energia do feixe de íons.
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22 de mar. de 2012
Estudo das modificações microestruturais e mecânicas de filmes de a-C:H, a-C:N:H: e a-C:F:H irradiados com íons de N/sup +/ e Xe/sup ++/
Nesse trabalho foram estudados os efeitos da irradiação iônica em filmes
de carbono amorfo hidrogenado, sem (a-C:H) e com a presença de N e F
(a-C:N:H e a-C:F:H, respectivamente). Os filmes foram crescidos através
da técnica de Deposição Química na Fase Vapor Assistida por Plasma. Após
a deposição, os filmes foram irradiados com N+ a 400 keV e Xe++ a 800
keV. Esses íons e suas energias foram escolhidos de modo que nas
irradiações com N+ e Xe++ predomine o poder de predomine o poder de
freamento eletrônico e nuclear, respectivamente. Alterações nas
propriedades estruturais, ópticas e mecânicas foram investigadas através
das técnicas de perfilometria, espectroscopia Raman, espectroscopia na
região do infravermelho próximo, visível e ultravioleta, nanoindentação e
técnicas de análise por feixe de íons (análises por retroespalhamento
de Rutherford e análise por reação nuclear). Os resultados revelam que a
irradiação causa um decréscimo na concentração atômica de H em todas as
amostras, e na concentração de F nas amostras de a-C:F:H. Não foram
verificadas alterações na concentração de N nos filmes de a-C:N:H. Os
espectros Raman e as medidas do gap de Tauc revelam que a irradiação
provoca um decréscimo na concentração de estados sp3, devido à conversão
C-sp3 → C-sp2. Após as máximas fluências de irradiação, independente
do íon precursor, todos os filmes apresentam uma estrutura amorfa
rígida, composta com 95 a 100 % de estados sp2. Geralmente, como prevê o
modelo de “clusters”, fases sp2 são planares e apresentam baixos
valores de dureza. Ao contrário, nossos resultados mostram que após as
maiores fluências de irradiação todos os filme combinam boas
propriedades mecânicas e tensão interna nula. A rigidez da estrutura
resulta do elevado grau de distorção angular nas ligações carbono sp2, o
que permite a formação de anéis não hexagonais, como pentágonos e
heptágonos, possibilitando a formação de sítios curvos, criando uma
estrutura tridimensional. Além disso, com a redução dos estados sp3
obtivemos estruturas não usuais. Filmes de carbono amorfo tipicamente
apresentam elevados valores de dureza e tensão interna compressiva, o
que limita a espessura máxima do filme, prejudica sua adesão sobre
determinados substratos e torna o filme suscetível à falhas mecânicas
por delaminação. Através da irradiação iônica foi possível a formação de
novas fases metaestáveis combinando elevada dureza e tensão interna
nula, ou seja, uma nova classe de materiais com grande potencial
tecnológico.
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21 de mar. de 2012
Novas fases amorfas de carbono produzidas por irradiação iônica de filmes de C/sub 60/, [alfa]-C e [alfa]-C:H
Neste trabalho estuda-se a formação de novas fases de carbono amorfo
através da irradiação iônica de filmes de fulereno, a-C e a-C:H
polimérico. Os efeitos da irradiação iônica na modificação das
propriedades ópticas e mecânicas dos filmes de carbono irradiados são
analisados de forma correlacionada com as alterações estruturais a nivel
atômico. O estudo envolve tanto a análise dos danos induzidos no
fulereno pela irradiação iônica a baixas fluências, correspondendo a
baixas densidades de energia depositada, quanto a investigação das
propriedades físico-químicas das fases amorfas obtidas após irradiações
dos filmes de fulereno, a-C e a-C:H com altas densidades de energia
depositada. As propriedades ópticas, mecânicas e estruturais das
amostras são analisadas através de técnicas de espectroscopia Raman e
infravermelho, espectrofotometria UV-VIS-NIR, microscopias ópticas e de
força atômica, nanoindentação e técnicas de análise por feixe de íons,
tais como retroespalhamento Rutherford e análises por reação nuclear. As
irradiações produzem profundas modificações nas amostras de fulereno,
a-C e a-C:H, e por conseqüência significativas alterações em suas
propriedades ópticas e mecânicas. Após máximas fluências de irradiação
fases amorfas rígidas (com dureza de 14 e 17 GPa) e com baixos gaps
ópticos (0,2 e 0,5 eV) são formadas. Estas estruturas não usuais
correspondem a arranjos atômicos com 90 a 100% de estados sp2 Em geral
fases sp2 são planares e apresentam baixa dureza, como predito pelo
modelo de “cluster”. Entretanto, os resultados experimentais mostram que
as propriedades elásticas das novas fases formadas são alcançadas
através da criação de uma estrutura sp2 tridimensional. A indução de
altas distorções angulares, através da irradiação iônica, possibilita a
formação de anéis de carbono não hexagonais, tais como pentágonos e
heptágonos, permitindo assim a curvatura da estrutura. Utilizando um
modelo de contagem de vínculos é feita uma análise comparativa entre a
topologia (estrutura geométrica) de ligações C-sp2 e as propriedades
nanomecânicas. São comparados os efeitos de estruturas sp2 planares e
tridimensionais (aleatórias) no processo de contagem de vínculos e,
conseqüentemente, nas propriedades elásticas de cada sistema. Os
resultados mostram que as boas propriedades mecânicas das novas fases de
carbono formadas seguem as predições do modelo de vínculos para uma
rede atômica sp2 tridimensional. A formação de uma fase amorfa dura e
100% sp2 representa uma importante conquista na procura de novas
estruturas rígidas de carbono. A síntese da estrutura desordenada sp2
tridimensional e vinculada aqui apresentada é bastante incomum na
literatura. O presente trabalho mostra que o processo de não-equilíbrio
de deposição de energia durante a irradiação iônica permite a formação
de distorções angulares nas ligações sp2-C, possibilitando a criação de
estruturas grafíticas tridimensionais.
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17 de mar. de 2012
Redistribuição e ativação de dopantes em Si com excesso de vacâncias
A redistribuição e ativação elétrica dos dopantes tipo n (As e Sb) e
tipo p (Ga e In) em Si com excesso de vacâncias foram analisadas. As
vacâncias foram geradas por implantação iônica de altas doses de
oxigênio ou nitrogênio em alta temperatura, de acordo com procedimentos
já estudados. Em seguida foram implantados os dopantes com dose de
5x1014 cm-2 a 20 keV na região rica em vacâncias. Dopagens idênticas
foram realizadas em amostras de Si sem vacâncias e em SIMOX. Em seguida
foram feitos recozimentos a 1000ºC por 10 s ou 15 min. Os perfis
atômicos dos dopantes foram medidos com Medium Energy Ion Scattering e
os perfis dos dopantes ativados, com Hall diferencial. A redistribuição e
as propriedades elétricas de cada um dos dopantes no Si sem vacâncias
foram bastante similares às observadas no SIMOX, porém várias diferenças
foram observadas em relação às amostras com excesso de vacâncias. As
vacâncias reduziram a ativação elétrica do As e do Sb, mas
proporcionaram maior estabilidade da ativação após recozimentos longos.
A redistribuição destes dopantes foi infuenciada pelo íon usado na
geração das vacâncias, ou seja, nitrogênio ou oxigênio. O oxigênio
proporcionou maior dose retida de As e o nitrogênio, maior dose retida
de Sb. Já para o Ga e o In, as vacâncias tiveram papel fundamental na
sua redistribuição, diminuindo a difusão para fora das amostras e
garantindo maior dose retida. A ativação elétrica do Ga e especialmente a
do In foram baixas, onde observamos forte influência do íon
pré-implantado, principalmente o oxigênio.
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13 de mar. de 2012
Células solares mais baratas utilizando implantação iônica
A startup Twin Creeks desenvolveu uma técnica para cortar o wafer de silício em lâminas de 20um de espessura praticamente sem perdas, para efeito de comparação, as lâminas para fabricação de processadores possuem 600um de espessura, e 200um para fabricação de painéis solares, sendo que para cortar uma lâmina de 200um, cerca de 200um é perdido devido ao processo de corte.
Com a nova técnica, será possível reduzir em até 10x o custo de fabricação de células solares.
O método consiste em implantar íons de Hidrogênio a uma profundidade de 20um no wafer de silício, aquecer o material para que os íons implantados se expanda em gás quebre o wafer, criando uma lâmina com 20um de espessura.
Mais informações no site da empresa: [Link]
Com a nova técnica, será possível reduzir em até 10x o custo de fabricação de células solares.
O método consiste em implantar íons de Hidrogênio a uma profundidade de 20um no wafer de silício, aquecer o material para que os íons implantados se expanda em gás quebre o wafer, criando uma lâmina com 20um de espessura.
Mais informações no site da empresa: [Link]
8 de mar. de 2012
Estudo de difusão de impurezas introduzidas por implantação iônica em polímeros
No presente trabalho estudamos de forma sistemática a difusão de
impurezas em filmes poliméricos usando as técnicas de implantação iônica
e análise por feixe de íons, retroespalhamento Rutherford e de perfil
de profundidade por nêutrons. Com este propósito foram implantadas e
realizadas medidas em diferentes intervalos de temperatura para
diferentes sistemas como (Au, Ag) no fotoresiste AZ1350, (Bi, Eu, Er, B)
no fotoresiste S1813 e (Xe, Kr) no termoplástico Poliestireno. Como
resultado mostrou-se que para implantações em baixas energias e
fluências Au, Ag seguem uma difusão regular. Os valores obtidos para os
parâmetros de difusão são semelhantes indicando assim um mecanismo de
difusão verdadeiramente atômico. É mostrado também que com o aumento da
fluência, devido aos danos gerados pelo processo de implantação, átomos
são aprisionados na região implantada levando a um mecanismo de difusão
por aprisionamento e liberação. Contudo, mostrou-se que a energia de
ativação indica que este processo de difusão ainda é de caráter atômico.
Da análise dos valores de D observamos um efeito de massa associado
onde D(T)Au < D(T)Ag, pois a massa de Ag é duas vezes menor que a de
Au. Para os elementos como Bi, Eu e Er, considerados quimicamente mais
ativos que Au, não foram observados efeitos de possíveis ligações
químicas nestes sistemas. Valores de energia de ativação de Bi
apresentaram-se próximos aos de Au para as fluências de implantação
aplicadas, o mesmo ocorrendo para a difusão de Er e Eu. O B mostrou que
depois de implantado difunde durante ou imediatamente após a
implantação. Difusão esta dada na presença de armadilhas saturáveis
induzidas por radiação, indo além da difusão térmica, por ordem de
magnitude de ≈10-12, contra ≈10-13 cm2s-1, respectivamente. Quanto a Xe e
Kr, observou-se que estes também difundem durante ou imediatamente após
a implantação, e que a fração do gás retido no pico depende da fluência
implantada. Implantações em baixa temperatura (80 K) e posteriores
análises foram determinados in situ por RBS na faixa de 80 a 300 K.
Verificou-se que a difusão segue um perfil regular. Em cada caso
mostrou-se que a dependência dos valores de D como função da temperatura
segue um comportamento tipo Arrhenius, com valores de energia de
ativação para os metais (Au, Ag, Bi) entre 580 e 680 meV, para os
lantanídeos (Er, Eu) valores entre 525 a 530 meV, para o semi-metal (B)
100 meV, e finalmente para os gases nobres Kr e Xe entre 40 e 67 meV.
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7 de mar. de 2012
Propriedades físico-químicas de filmes finos de Al2O3 depositados por sputtering sobre Ge
Nesta dissertação, foram investigadas as propriedades físico-químicas de
filmes finos de óxido de alumínio (Al2O3). O Al2O3 foi depositado sobre
substratos germânio (Ge) e silício (Si) por magnetron sputtering
reativo, utilizando uma fonte DC pulsada, visando a produzir camadas com
baixas quantidades de OH e H2O, em comparação àquelas produzidas pelo
processo de deposição por camadas atômicas (ALD). Dados obtidos por
espectroscopia de fotoelétrons (XPS) e perfis de concentração obtidos
por reações nucleares ressonantes (NRP) evidenciaram a formação de uma
camada de GeO2 sobre os substratos de Ge, durante o processo de
deposição. Quando as amostras foram submetidas a tratamentos térmicos em
atmosferas de Ar e forming gas, foi verificada a redução desse óxido.
Foi observado que a camada de transição remanescente na interface é
constituída essencialmente de germanatos de alumínio. O efeito dos
principais contaminantes introduzidos pela técnica de ALD (água e/ou
grupos hidroxila) foi investigado por meio de tratamentos térmicos em
atmosferas de oxigênio (O2) e vapor d’água. Dados de NRP mostraram que a
incorporação de O aumenta com a temperatura de tratamento e depende do
gás empregado. Também observou-se que o O proveniente da fase gasosa
interage fortemente com o substrato semicondutor de Ge, efeito não
observado nas amostras de Si. Análises com técnicas por espalhamento de
íons evidenciaram um aumento na concentração de Ge dentro da camada de
Al2O3 e na superfície das amostras, efeito associado à oxidação do
substrato de Ge. Essas observações podem ser explicadas pela dessorção
de GeO resultante de reações químicas que ocorrem na interface
dielétrico/substrato.
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6 de mar. de 2012
Influência de bolhas de hélio e da microestrutura sobre a evolução térmica de filmes de alumínio implantados com cobre
Este trabalho apresenta os resultados de um estudo sistemático sobre as
influências do tamanho de grão de filmes finos de Al e da implantação de
íons de He sobre a evolução térmica de distribuições de átomos de Cu e
formação de precipitados de Al-Cu. Filmes finos de Al depositados sobre
substrato de SiO2/Si através de dois processos diferentes foram
implantados com íons de Cu+ e He+ produzindo uma solução sólida
supersaturada de Al-Cu (≈ 2,5 a 3,5 at. %) e nano-bolhas de He. Os
valores de energia dos íons foram escolhidos de tal forma a produzirem
uma camada rica em Cu e He na região a aproximadamente 100nm da
superfície. Tais filmes foram tratados termicamente em alto-vácuo nas
temperaturas de 200ºC e 280ºC por tempos de 0,5h e 2h. Os filmes foram
analisados por Retroespalhamento Rutherford, para determinação do perfil
de concentração dos átomos de Cu, e por Microscopia Eletrônica de
Transmissão, para determinação da microestrutura do Al e dos sistemas de
nano-partículas Al-Cu e Al-He. Os resultados experimentais mostraram
que a evolução térmica da distribuição dos átomos de Cu e a formação de
precipitados de Al-Cu são significativamente afetadas pela configuração e
tamanho de grão do filme de Al e pelas implantações de He. O presente
estudo mostrou que existe uma forte correlação entre o fluxo de
vacâncias e a estabilidade da microestrutura de filmes finos de Al
(Al/SiO2/Si) implantados com íons de Cu+ e He+ e tratados termicamente. A
possibilidade de controlar os fluxos de vacâncias através de
configurações da microestrutura dos filmes de Al é, portanto, um tema de
grande interesse tecnológico relacionado a durabilidade das
interconexões metálicas de dispositivos microeletrônicos.
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3 de mar. de 2012
Nanoestruturas luminescentes ß-FeSi 2 produzidas pela técnica de implantação e irradiação iônica : caracterização estrutural e óptica
Neste trabalho, apresentamos um estudo sistemático das propriedades
estruturais e ópticas de nanopartículas FeSi2, sintetizadas em matriz
SiO2/Si por implantação iônica, seguida de cristalização epitaxial
induzida por feixe de íons (IBIEC) e tratamentos térmicos em atmosfera
95 % N2 - 5 % H2. A cada etapa do processo de síntese, a formação e
crescimento de nanopartículas FeSi2, bem como a produção de defeitos,
foi caracterizada estruturalmente e correlacionada com as propriedades
de emissão de luz. Para fins de interpretação dos resultados, um
conjunto de amostras contendo Ni foi sintetizado nas mesmas condições
experimentais que as amostras de Fe e suas propriedades estruturais e
ópticas também foram estudadas. Através do processo de recristalização
IBIEC obtivemos importantes informações sobre as propriedades
vibracionais da fase metálica γ-FeSi2 e sua metaestabilidade quando
formada a baixa concentração de Fe. Em particular, a transição desta
fase via temperatura de recozimento para a fase semicondutora β-FeSi2
foi investigada detalhadamente. A natureza do gap fundamental de energia
do composto semicondutor também foi avaliada. Em experimentos em função
da temperatura de tratamento térmico, observou-se que concomitantemente
à formação e crescimento de nanopartículas semicondutoras, existe uma
complexa evolução de defeitos opticamente ativos. De acordo com a
temperatura de recozimento, bandas de fotoluminescência (PL) na região
espectral do infravermelho próximo (0.7 eV - 0.9 eV) com diferentes
intensidades e morfologias foram detectadas a 2 K. Baseado nos
resultados das caracterizações estruturais e ópticas do sistema SiO2/Si +
nanopartículas FeSi2, juntamente com resultados PL experimentais
comparativos da formação do composto metálico NiSi2, as origens físicas
das distintas luminescências observadas foram discriminadas em termos de
emissões intrínsecas do semicondutor β-FeSi2 e de específicos tipos de
defeitos na matriz de Silício que atuam como centros de recombinação
radiativa.
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28 de fev. de 2012
Implantação iônica e difusão auxiliada por radiação de estanho em ferro e aços
O objetivo deste trabalho é estudar a composição, a estrutura e a
morfologia de superfícies de ferro e aços impurificados com estanho,
tanto por implantação iônica direta mo por Jiru ão auxiliada por
radiação. Amostras de ferro puro, de um aço-ferramenta e de um aço
inoxidável austenítico fo ram tratadas por esses dois processos e
analisadas por CEMS ("Conversion Electron MOssbauer Spectroscopy") e RBS
("Rutherford Backscattering Spectrometry"). Em todos os casos
estudados, verifica-se a formação de fases intermetálicas diferentes das
obtidas mediante procedimentos convencionais sob condições de
equilíbrio termodinâmico. Essas fases de não-equilíbrio são
interpretadas como ligas amorfas ou soluções sólidas de estrutura
cristalina fortemente danificada, constituidas basicamente de Fe e Sn,
com al gum conteúdo de C, Cr ou Ni, conforme o tipo de material em es
tudo. A tendência para a formação dessas fases de não-equilíbrio
mostra-se mais pronunciada nas amostras diretamente implantadas do que
nas tratadas por difusão auxiliada por radiação. Em todos os casos
estudados, verifica-se a formação de fases intermetálicas diferentes das
obtidas mediante procedimentos convencionais sob condições de
equilíbrio termodinâmico. Essas fases de não-equilíbrio são
interpretadas como ligas amorfas ou soluções sólidas de estrutura
cristalina fortemente danificada, constituidas basicamente de Fe e Sn,
com al gum conteúdo de C, Cr ou Ni, conforme o tipo de material em es
tudo. A tendência para a formação dessas fases de não-equilíbrio
mostra-se mais pronunciada nas amostras diretamente implantadas do que
nas tratadas por difusão auxiliada por radiação. Estuda-se também a
evolução térmica das superfí cies tratadas. Verifica-se que, quando
submetidas a temperaturas progressivamente mais elevadas, as fases de
não-equilíbrio evoluem para fases idênticas às obtidas mediante
procedimentos convencionais sob condições de equilíbrio termodinâmico.
Os compostos íntermetálicos assim obtidos tendem a sofrer decomposição a
temperaturas inferiores às prescritas nos diagramas de fase dr
equilíbrio. No caso do ferro puró, sugere-se ainda a formncy de
micro-precipitados de estanho nos contornos de grão. Os resultados
obtidos são interpretados em terhlos de, dstudos recentes sobre a
formação de fases intermetálicas amorfas ou meta-estáveis por
implantação iônica e difusão auxiliada por radiação. Mostram-se
finalmente, de forma tentativa, as possíveis conexões entre os
resultados relatados e as alterações observadas nas propriedades
tribológicas e na resis tência à oxidação térmica do ferro e aços
tratados com estanho pelos dois processos mencionados.
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Nanoestruturas luminescentes de Ge e Sn em camadas de SiO/sub 2/ implantadas com íons
Neste trabalho estudam-se as propriedades de nanoestruturas de Ge e Sn
formadas em amostras de SiO2/Si(100) através dos processos de
implantação iônica e tratamento térmico. A formação de nanocristais de
Ge foi investigada em função de tratamentos térmicos em ambiente de N2.
Os resultados obtidos foram correlacionados com as propriedades de
luminescência das amostras, sendo feita uma discussão sobre os
mecanismos atômicos envolvidos no processo de crescimento dos
nanocristais de Ge, bem como seus efeitos na criação de centros
luminescentes no interior da camada de SiO2, que são responsáveis por
intensas bandas de fotoluminescência (PL) nas regiões espectrais do
azul-violeta (≈ 3,2 eV) e ultravioleta (≈ 4,2 eV). Além disso,
experimentos de irradiação com diferentes íons (He+, Si+, Kr++, Au+)
foram realizados antes da implantação do Ge com o objetivo de estudar o
efeito de memória que os danos criados pela irradiação apresentam sobre
as propriedades estruturais e luminescentes das amostras de SiO2/Si(100)
No estudo das amostras de SiO2/Si(100) implantadas com Sn, a síntese
de nanopartículas de Sn foi estudada em função da temperatura e do
ambiente de tratamento térmico (N2 e vácuo). De maneira pioneira
mostrou-se que através da manipulação desses parâmetros é possível
formar desde grandes nanocristais bi-fásicos de Sn (≈ 12 a 25 nm) em
estruturas concêntricas com núcleo de β-Sn e camada externa de SnOx, até
pequenas nanopartículas de Sn com diâmetros de ≈ 2 nm e uniformemente
distribuídas ao longo da camada de SiO2. Além disso, observou-se que a
evolução estrutural do sistema de nanopartículas de Sn influencia
diretamente as características das emissões de PL azul-violeta e UV. Por
fim, um outro aspecto das nanoestruturas de Sn foi estudado: a formação
de um denso arranjo de ilhas epitaxiais de β-Sn na região de interface
SiO2/Si. Este sistema de nano-ilhas, que cresce epitaxialmente, é
uniformemente distribuído sobre a superfície do Si, apresentando uma
pequena dispersão em tamanho e tendência a se auto-organizar. A criação
desse sistema de nano-ilhas epitaxiais através da utilização da
implantação iônica é um processo inédito, sendo discutida aqui com base
nas propriedades de equilíbrio do sistema Sn-Si.
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27 de fev. de 2012
Formação de ilhas metálicas de Sn e Pb em interfaces SiO2/Si e SiO2/Si3N4 via implantação iônica e tratamento térmico
Neste trabalho estudou-se a estruturação de partículas de Sn ou Pb em
interfaces SiO2/Si e SiO2/Si3N4 pela técnica de implantação iônica
seguida de tratamento térmico em alta temperatura. A formação de
partículas de Sn em interfaces SiO2/Si foi estuda em função do tempo de
recozimento em fluxo de N2. Os dados experimentais demonstraram que este
método leva a formação de partículas com bases quadradas de ≈ 8,0 nm de
largura que crescem epitaxialmente a partir do substrato de Si. Os
resultados foram discutidos com base nas propriedades de equilíbrio do
sistema Si-Sn bem como em argumentos cinéticos referentes à
redistribuição dos átomos implantados. A influência da inclusão de uma
etapa de tratamento térmico de envelhecimento em baixas temperaturas
antes do recozimento necessário para a formação de partículas na
interface foi também estudada. Foi demonstrado, de forma pioneira, a
possibilidade de estruturar exclusivamente a região da interface SiO2/Si
via implantação iônica. Os resultados foram discutidos considerando um
modelo fenomenológico baseado em argumentos termodinâmicos relacionados à
dependência da energia de interface partícula/matriz com o tamanho de
partículas que podem resultar em pequenas partículas de Sn possuindo
elevada estabilidade térmica. Em particular demonstrou-se de maneira
inédita que o método de envelhecimento seguido de recozimento em altas
temperaturas é capaz de produzir filmes cuja intensidade da resposta
luminescente é o dobro das camadas não submetidas a esse processamento.
A nucleação e crescimento de partículas de Sn em interfaces SiO2/Si3N4
também foi estudada. Esse sistema é interessante, pois permite a
aplicação do processo de síntese de partículas por implantação iônica na
elaboração de dispositivos de memória tipo flash. Além disso, esse
estudo evidenciou a possibilidade de modificar a distribuição em
tamanhos das partículas formadas na interface SiO2/Si3N4 pela aplicação
de um segundo recozimento em alta temperatura, aumentando assim o
controle sobre as estruturas formadas na interface SiO2/Si3N4. O estudo
nanopartículas de Pb em interfaces SiO2/Si(100) demonstrou a formação de
partículas com tamanhos menores que 7,0 nm. Essa investigação mostrou a
tendência das partículas de se enterrarem no substrato de Si quando
utilizados recozimentos de longa duração. Essas partículas enterradas no
Si exibem estruturas piramidais cujas bases são quadradas e suas faces
formam interfaces com os planos [111] do substrato de Si. Aumentando a
quantidade de Pb transferida para a interface SiO2/Si(100) resultou na
formação de partículas com duas fases do tipo caroço/casca. Nesse caso o
caroço é composto de Pb metálico enquanto a casca é composta
provavelmente por uma liga Pb-Si. Diferentemente desse cenário a
formação de ilhas em interfaces SiO2/Si(111) demonstrou a possibilidade
de formar pela técnica de implantação iônica, estruturas com geometria
de calota esférica e que exibem comportamento de crescimento competitivo
(Ostwald ripening), onde as partículas menores se dissolvem alimentando
o crescimento das maiores.
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26 de fev. de 2012
Estudo do poder de freamento de He, Li, Eu e Bi canalizados em alvos de Si cristalino
Neste trabalho, foi realizado um estudo experimental sistemático da
perda de energia de íons canalizados ao longo das direções h100i , h111i
e h110i de cristais de Si. Foram abordados dois aspectos distintos,
porém correlatos, do problema. No primeiro tópico, estudamos o poder de
freamento de íons pesados (Eu e Bi) com energias entre 15 e 50 keV, para
os quais o mecanismo predominante de perda de energia é o freamento
nuclear. O segundo tópico está relacionado ao freamento de íons leves
(He e Li) com energias no intervalo entre 0.3 e 8 MeV. Neste caso, os
íons perdem energia, predominantemente, em colisões com elétrons. O
estudo do freamento dos íons pesados foi realizado de maneira indireta,
pela comparação dos perfis de concentração de Eu e Bi implantados em
direção canalizada com as previsões do programa MARLOWE, que simula a
interação de feixes de íons com alvos sólidos. Nós observamos pela
primeira vez, em implantações em direção canalizada, o chamado efeito
Z1, ou seja, a deformação das núvens eletrônicas do projétil e do alvo
em colisões binárias de baixa energia. Enquanto nossos dados para
implantações de Bi são muito bem reproduzidas pelo MARLOWE, os perfis de
Eu apresentam caudas mais profundas que as preditas por este programa.
Além disso nós demonstramos que este comportamento é explicado por
cálculos ab initio de estrutura molecular baseados na Teoria Funcional
da Densidade (DFT). Com relação os íons leves, a perda de energia foi
obtida pela técnica de retroespalhamento Rutherford em amostras do tipo
SIMOX, que consistem em uma camada de Si monocristalino de 200 nm sobre
uma camada de 500 nm de SiO2 enterrada numa matriz de Sih100i . Com esta
técnica nós realizamos medidas da perda de energia como função da
energia e do ângulo de incidência do feixe com relação á direção de
canalização. A análise teórica dos resultados foi realizada por
intermédio de simulações das trajetórias canalizadas e de cálculos da
dependência da perda de energia com o parâmetro de impacto. Estas
comparações permitiram determinar o papel desempenhado pelos diversos
mecanismos de perda de energia envolvidos no freamento dos íons
canalizados.
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25 de fev. de 2012
Junções rasas em Si e SIMOX
Foi estudado o comportamento do As (dopante tipo n) em dois tipos
diferentes de substratos de Si: bulk e SIMOX (Separation by IMplanted
OXygen). Ambos os substratos receberam uma implantação de 5x1014 cm-2 de
As+ com energia de 20 keV. Após as implantações, as amostras foram
recozidas por um dos dois processos a seguir: recozimento rápido (RTA,
Rapid Thermal Annealing) ou convencional (FA, Furnace Annealing). A
caracterização física e elétrica foi feita através do uso de diversas
técnicas: SIMS (Secondary Ion Mass Spectrometry), RBS (Rutherford
Backscattering Spectrometry), MEIS (Medium Energy Ion Scattering),
medidas de resistência de folha, medidas Hall e medidas de perfil de
portadores por oxidação anódica. Na comparação entre os substratos
SIMOX e Si bulk, os resultados indicaram que o SIMOX se mostrou superior
ao Si bulk em todos os aspectos, ou seja, menor concentração de
defeitos e menor perda de dopantes para a atmosfera após os
recozimentos, maior concentração de portadores e menor resistência de
folha. A substitucionalidade do As foi maior no SIMOX após RTA, mas
semelhante nos dois substratos após FA. Na comparação entre RTA e FA, o
primeiro método se mostrou mais eficiente em todos os aspectos
mencionados acima. As explicações para o comportamento observado foram
atribuídas à presença de maior concentração de vacâncias no SIMOX do que
no Si bulk e à interação destas vacâncias com os dopantes.
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23 de fev. de 2012
Caracterização da implantação de Ne em Si (100)
Esta tese apresenta um estudo sistemático sobre a formação e evolução do
sistema de bolhas, cavidades e defeitos gerados pela implantação de Ne
em Si monocristalino. A implantação de gases inertes em Si tem sido
explorada com o objetivo de modificar a microestrutura potencializando
aplicações para aprisionamento de impurezas, corte preciso, relaxação de
estruturas, entre outras. A maior parte dos trabalhos conhecidos na
literatura considera a implantação de He ou uma combinação de He e H em
Si. Nessa tese serão explorados os efeitos da implantação de Ne em Si e
as modificações estruturais ocasionadas quando parâmetros de implantação
e de tratamentos térmicos posteriores são variados. Os estudos foram
realizados considerando: i) substrato mantido à temperatura ambiente e
com diferentes fluências de implantação, ii) substrato mantido em 250°C e
diversas fluências, e iii) mais altas temperaturas de implantação e
fluência fixa. Após tratamentos térmicos investigou-se como os defeitos
pontuais formam defeitos estendidos e a sua evolução para discordâncias.
A comparação entre as técnicas de implantação com feixe de íons
monoenergéticos e plasma de íons de Ne, também foi investigada. O estudo
apresenta uma descrição detalhada das interações entre o sistema de
bolhas e defeitos pontuais e estendidos. Esse estudo foi feito
utilizando as técnicas de espectroscopia de retroespalhamento de
Rutherford (RBS/C) e microscopia eletrônica de transmissão (TEM), bem
como com a técnica de espalhamento de raios X em incidência de ângulo
rasante (GISAXS) para investigar a morfologia do sistema de bolhas. O
conteúdo de gás no sistema foi estudado com as técnicas de
espectroscopia de dispersão em comprimento de onda (WDS) e detecção do
recuo elástico (ERD). O valor experimental do conteúdo foi comparado com
o volume livre existente no sistema de bolhas considerando modelos de
equilíbrio termodinâmico e a equação de estado de gás ideal e gás real.
Além disso, a evolução do sistema de bolhas foi discutida em termos das
características de distribuição em tamanhos. Os principais resultados
permitiram concluir que: i) mesmo em altas temperaturas de implantação e
recozimento ocorre a presença de bolhas, ii) o conteúdo de gás se
conserva, iii) esta conservação implica que as bolhas estão
superpressurizadas ou é necessário adotar um maior valor para a
densidade de energia de interface, ou ainda, que além das bolhas o gás
pode estar dissolvido na matriz. As bolhas e os defeitos interagem entre
si, e a presença do gás nas amostras também afeta diretamente o
crescimento das mesmas. Das imagens de TEM que mostram as diferentes
distribuições em tamanhos das bolhas em função da profundidade
verificou-se a perda de memória dos processos de nucleação e crescimento
das bolhas após tratamentos térmicos. Tal perda é associada ao tamanho
médio atingido pelas bolhas após tratamentos térmicos que mostra ser
independente do sistema inicial, após implantações a diferentes
temperaturas. Este estudo permitiu, portanto, desenvolver uma visão mais
abrangente da evolução da microestrutura de amostras de Si implantadas
com Ne e discutiu os processos de formação e dissolução de defeitos no
Si.
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